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sábado, 6 de outubro de 2012

«Half Nelson – Encurralados»



Ou muito me engano, ou o filme da vida de Ryan Gosling será o noir Drive do ano passado, mas o canadiano tem outros bons papéis no seu curto currículo: Blue Valentine - Só Tu e Eu, Amor Estúpido e Louco, Stay – Entre a Vida e a Morte e este Half Nelson – Encurralados

Ryan Fleck (É uma Espécie de… Comédia, Sugar) é o realizador responsável por este drama que retrata a vida de um professor de História e treinador de basquetebol de uma escola nos subúrbios de Boston, cuja esmagadora maioria dos alunos é de etnia negra e hispânica. Fleck encontrou em Gosling um canal para explorar a vida do Prof. Dan Dunne, um jovem que consegue cativar alunos totalmente desinteressados na matéria de História e cria junto destes laços que vão para além da mera relação professor/aluno. Drey (Shareeka Epps) é uma aluna de 13 anos que vive no seio de uma família com alguns problemas sociais e económicos, mas revela-se a melhor amiga do Prof. Dunne, fruto de uma amizade e simpatia invulgares. 

É Drey quem vai ajudar o Prof. Dunne a tentar-se livrar daquilo que lhe vai destruindo a vida particular e que, a pouco e pouco, lhe começa a causar problemas dentro da própria escola: a droga. A personagem de Gosling é um ser extremamente solitário viciado em cocaína e erva, que encontra no ensino das aulas uma forma de combater o desespero e solidão da sua vida. Drey apercebe-se do vício profundo do seu professor quando o encontra na casa de banho das senhoras num estado lastimável; a partir daqui, a relação entre ambos fortalece-se. A gratidão de Dunne em relação a Grey existe e o professor passa a encará-la quase como uma filha, fazendo de tudo para a livrar da vida de vendedora de droga e da cadeia, pois naquele bairro de Boston a vida de criminoso parece ser a única alternativa de vida aos indivíduos de etnias minoritárias.

No global, Half Nelson – Encurralados é um filme muito bom onde as personagens convencem o espectador do papel que desempenham e do meio em que estas se inserem. A tensão, a tensão e o sentimento de miséria estão presentes em boas quantidades neste drama. 

Realização: Ryan Fleck
Argumento:Ryan Fleck, Anna Boden

terça-feira, 2 de outubro de 2012

«Balas e Bolinhos – O Último Capítulo»


O grande campeão de bilheteira e o maior sucesso do cinema português dos últimos é a terceira e derradeira parte da saga de Tone (Luís Ismael), Rato (Jorge Neto), Culatra (J.R. Duarte) e Bino (João Pires). O Último Capítulo fecha a trindade de muitos palavrões e aventuras sem nexo de quatro indivíduos à procura de tesouros e dinheiro.

Como é óbvio, este não pode ser o futuro do cinema português, mas já lá vamos. Há que deixar bem claro que este registo roça o humor barato: insultos, palavrões, javardices e mais palavrões; repesca muitas expressões dos outros dois capítulos, retoca algumas e repete novamente a fórmula - dito isto, o filme não tem na originalidade o seu ponto forte. Mais uma vez, tal como sucedeu no capítulo anterior, as quatro personagens encontram-se acidentalmente e têm vidas diferentes: Tone regressa da China com o espírito interior desenvolvido e sabe lutar kung fu, Rato é cantor pimba, Culatra é médico e Bino é animador de rua. Reúnem-se todos para encontrarem o dinheiro de uma mala misteriosa, mas desconhecem que esta se encontra nas mãos da poderosa máfia chinesa, portanto todo o cuidado é pouco… ou não. É esta a estória do filme. Não, espere: paralelamente, Tone tem que encontrar um fígado para o pai. 

Balas e Bolinhos é uma experiência descontraída que não o obriga a usar a sua massa cinzenta, bem pelo contrário: divirta-se com as piadas previsíveis dos intervenientes. Conhecidos do grande público também marcam presença neste registo, como é o caso de Jel, dos Homens da Luta, ou Fernando Rocha – complicado seria mesmo pedir humor inteligente do género de Seinfeld ou Monty Python, mas é o que há -, conferindo ao filme uma maior longevidade. A longa duração é outro dos problemas encontrados aqui: quase duas horas de filme com má língua e pancadaria tornam o filme aborrecido. O humor de Balas e Bolinhos – O Último Capítulo é do mais básico que existe: “paneleiro”, “filho da puta”, “boi” ou “foder” ouvem-se com bastante frequência e prometem irritá-lo ao fim de algumas cenas – por mim falo, claro.

No entanto, não desgostei do filme. Podia estar mais variado um bocadinho, com palavrões mais originais, claro, mas é o que se podia esperar do último capítulo desta saga. Jorge Neto tem potencial para outro tipo de voos, já agora.

Realização: Luís Ismael
Argumento: Luís Ismael

domingo, 23 de setembro de 2012

«Cyrus»



Nem todas as separações correm tão bem como a de John (John C. Reilly) e Jamie (Catherine Keener), pois ficam ambos grandes amigos, embora John ainda sinta algo por Jamie, que vai casar novamente. Passaram-se sete anos desde que John passou a viver sozinho, deprimido, enfiado em casa à espera que as coisas boas lhe caiam do céu, até que Jamie o arrasta para uma festa e o ex-marido conhece Molly (Marisa Tomei).

Quando as pessoas conhecem e se envolvem com alguém ficam plenamente extasiadas, como acontece com John: arruma a casa, faz exercício para esconder a barriga de cerveja, come comida saudável e, mais que tudo isto junto, sorri, ganha vida. Bem, e Cyrus? Cyrus (Jonah Hill) é o filho de Molly, um jovem de 21 anos que nunca conseguiu ultrapassar a separação dos pais, um filho muito apegado à mãe e que não deixa que nenhum homem se envolva com Molly. A missão de John passa por convencer o filho em relação às suas intenções do seu novo amor, mas isso não é pêra doce; Cyrus mente, manipula e faz de tudo para ter a sua mãe só para si mesmo, mesmo que isso implique sacrificar a felicidade da progenitora.

Cyrus é, em traços gerais, um drama moderno com uma ou outra gargalhada, onde nada de excitante acontece, as personagens adoptam uma postura moderadamente séria (é mais um daqueles filmes que tem “Sundance” na capa), onde nada aparentemente corre bem. Nada de extraordinário, portanto, o que não significa necessariamente que esta película não seja agradável - aliás, é um dos filmes mais interessantes que vi nos últimos tempos. A prestação de John C. Reilly é espectacular em vários aspectos, assim como a sua personagem: John confronta Cyrus com alguma agressividade quando este lhe tenta fazer a vida difícil. John é um “anti-bombeiro”: combate fogo com fogo. No sentido oposto, a prestação de Marisa Tomei é discreta. Não apresenta neste filme a intensidade de O Wrestler, por exemplo, ficando por vezes relegada para segundo plano em detrimento da difícil relação John/Cyrus, o que é pena: Tomei é uma boa actriz.

Cyrus tem tudo para agradar aos mais solitários e desligados dos grandes blockbusters cinematográficos, ávidos de cultura alternativa, ainda que seja “made in USA”. Não inova, mas também não estagna o género em que se insere.

Realização: Mark Duplass, Jay Duplass
Argumento: Mark Duplass, Jay Duplass

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

«Paranoid Park»

 
À excepção de Milk, creio que nenhum outro filme de Gus van Sant teve um grande impacto no cinema de massas, e estamos a falar de um realizador que já nos trouxe Last Days (que se baseia nos últimos dias de Kurt Cobain) e Elefante (incide sobre o massacre de Columbine, que ocorreu em 1999), entre outros bons filmes.
 
Paranoid Park é, como habitual nas películas de van Sant, um filme moderadamente depressivo onde as personagens padecem de algo que as perturba profundamente. Passa-se em Portland, Oregon, perto da Meca do grunge, Seattle, onde um miúdo de 16 anos mata acidentalmente um homem. Alex (Gabe Nevins) é um miúdo inseguro, algo alienado, que está a aprender a lidar com a separação dos pais e que namorada com uma rapariga que não o faz sentir feliz. Jennifer (Taylor Momsen), a namorada, é a típica rapariga suburbana dos Estados Unidos: loira, olhos azuis, é cheerleader e interessa-se por futilidades. Alex é o oposto: preocupa-se com a guerra no Iraque e preocupa-se com o que o rodeia, embora o próprio – e isto é a sensação com que fico – não se aperceba que não consegue lidar com o que o faz sentir-se infeliz. Alex não aborda a questão da separação dos pais, mas por vezes é evidente que isso o magoa.

Paranoid Park é o maior parque de skateboarding de Portland, ou pelo menos o mais fixe, no qual todos os rebeldes querem parar e conhecer pessoal mais alternativo. Ali é onde a cultura hardcore punk e rock vive, é lá que os miúdos vão curtir o fim das aulas, é lá onde a malta vai fumar uns cacetes para aliviar a pressão do dia-a-dia. Ao pé deste parque, Alex mata em legítima defesa um polícia que o vai repreender atacar por se meter num comboio sem pagar bilhete. O realismo desta cena brutal – o polícia fica literalmente cortado em dois – é um dos aspectos mais impressionantes do filme.

A calma das personagens e a também tranquilidade dos cenários onde o filme se desenvolve são psicologicamente pesados: fica sempre a sensação de que algo inquietante se vai passar a seguir. Gus van Sant fez aqui uma boa adaptação do romance de Blake Nelson, do mesmo título, como seria de esperar. Não sendo um filme estrondoso, Paranoid Park é estimulante e bem indie para os amantes do género.

Realização: Gus van Sant
Argumento:
Gus van Sant, Blake Nelson

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

«Sacanas sem Lei»


E de todos os filmes realizados por Quentin Tarantino, só dois me deixaram pouco impressionado: À Prova de Morte e Jackie Brown. O resto é tudo filmes de topo que desiludem muito pouca gente.

Ora, este Sacanas sem Lei, de 2009, não foge à regra de Tarantino: guião simples, personagens marcantes e diálogos memoráveis. Se, por exemplo, Pulp Fiction traz à memória o diálogo de Travolta e Jackson sobre a divina providência/intervenção divina, esta película fica marcada pelo “fantástica” conversa em italiano entre os Bastardos e o Coronel Landa (“Marrrgarêêtii”, “Domenico DiCocco”). Voltando à estória do filme, estamos na Segunda Guerra Mundial, na França ocupada pela Alemanha, e os americanos e britânicos encontram-se a dar ajuda aos franceses. Uma elite de combatentes norte-americano intitulada Os Bastardos, liderada pelo Tentente Aldo Raine (Brad Pitt) e o Sargento Donowitz (Eli Roth), organizam um plano de captura de nazis e derrube do Führer. Do outro lado da barricada está Hans Lada (Christoph Waltz), um carismático Coronel famoso por encontrar e perseguir judeus, não fosse ele das SS, claro está. 

O resto - e o enredo é extremamente limitado – consiste na exibição de um filme sobre a glória nazi do soldado Zoller (Michael Fassbender) no cinema de Shosanna (Mélanie Laurent), uma judia a quem Lada mata a família. Nesse cinema estarão todos os grandes líderes do Reich, incluindo o próprio Hitler, e os Bastardos não querem perder essa grande oportunidade para acabarem com a guerra. E pronto, com um enredo tão simples, Tarantino reúne um elenco de bons actores e cria um óptimo filme de acção e comédia, de onde se destacam Brad Pitt e Christoph Waltz. O primeiro é um Durão norte-americano, o segundo é uma personagem simpática e cruel alemã, e ambos dão vivacidade às personagens que representam.

Não se deixe enganar: a maioria dos diálogos é, de facto, simples, mas aquele diálogo entre Lada e um latifundiário francês – entre tantos outros – é do melhor que se viu em Tarantino; o humor está presente em quase todos os momentos e em várias línguas: alemão, francês, italiano e inglês – e Christoph Waltz fala-as todas.

Não inova em nada, recupera partes de filmes ora clássicos, ora desconhecidos, mas Quentin Tarantino é um dos grandes realizadores do cinema de massas norte-americano que agrada aos europeus e Django Libertado está já aqui à porta.

Título original: Inglourious Basterds
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Faleceu Michael Clarke Duncan



Michael Clarke Duncan, conhecido pela sua grande prestação em À Espera de um Milagre (1999), faleceu ontem, segunda-feira, num hospital de Los Angeles. O actor, de 54 anos, tinha sofrido, em Julho último, um ataque cardíaco e permanecia internado sob vigilância, acabando por não resistir à patologia.

Duncan ficará conhecido, sobretudo, pela sua elevada estatura - cerca de 2m - e pelo sentido de humor. 

domingo, 5 de agosto de 2012

«Vertigo» melhor filme de sempre?


A revista britânica Sight and Sound elegeu recentemente o clássico Vertigo – A Mulher que Viveu Duas Vezes, de Alfred Hitchcock, como o melhor filme de sempre. A votação foi feita por 846 distribuidores, críticos e académicos e destronou Citizen Kane - O Mundo a seus Pés, de Orson Welles, pela primeira vez.

E você, qual é o seu filme favorito?

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

«Superman/Batman: Apocalypse»


Contagiado pela recente febre em torno do morcego de Gotham e o novo capítulo da saga, O Cavaleiro das Trevas Renasce, decidi experienciar uma fusão entre o Super-Homem, Batman, a Wonder-Woman  e Big Barda. Para além destes famosos, há a adição de Kara, a prima de Clark Kent, que vem para o planeta Terra para aprender a utilizar correctamente os seus super poderes.

O título da película é, antes de mais, enganador; de facto, e pensando eu que iria assistir a uma união de forças entre Batman (kevin Conroy) e o Super-Homem (Tim Daly), é a Super-Girl (Summer Glau) - Kara - que toma as rédes da narrativa, relegando o restante elenco para segundo plano. O filme começa com a chegada misteriosa de Kara a Gotham e o seu encontro com Batman, e é basicamente esta a única cena onde o justiceiro tem destaque, pois o resto é orientado em torno da dupla Kara/Super-Homem. Após diálogo aceso, Kara, Batman e Super-Homem decidem que o melhor local para a futura heróina aprender a dominar os seus poderes é em Themyscira, a ilha da Wonder Woman (Susan Eisenberg) e das amazonas.

kara deverá com este treino tornar-se na Supergirl, mas para isso terá que resistir aos ataques de Darkseid (Andre Braugher), um monstro malvado de outra dimensão que a quer para o seu próprio excército. Em termos de história, não há muito mais a acrescentar, mas poderia e deveria ter sido revista; o papel de Batman é quase inexistente e os 78 minutos do filme não chegam para tantas personagens. Os desenhos adquiriram um toque mais surreal e caricaturado, mas um tipo de lápis mais tradicional teria sido mais proveitoso, creio.

Visto que Superman/Batman: Apocalypse decorre após os acontecimentos de Superman Batman: Public Enemies, é de todo aconcelhado que veja Apocalipse filme em primeiro lugar. Em suma, esta animação parte da fusão entre alguns dos superheróis mais famosos, no entanto esta união de justiceiros colide com vários aspectos deficientes, como é o caso da abundância de personagens.

Realização: Lauren Montgomery
Argumento: Tab Murphy, Jeph Loeb, Michael Turner, Bob Kane, Jerry Siegel, and Joe Shuster, William M. Marston, Jack Kirby

sexta-feira, 27 de julho de 2012

«A Rede Social»


O título do filme sugere automaticamente uma obra baseada no Facebook - e até o é - mas a verdade é que os valores de amizade e lealdade são o centro deste filme realizado por David Fincher (7 Pecados Mortais, Clube de Combate, O Estranho Caso de Benjamin Button).

Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) é um dos bilionários mais jovens de sempre, mas a sua vida pessoal fica manchada por incidentes que o levaram a tribunal e acusado por vários crimes - entre eles o de roubo de propriedade intelectual que resultaram, como se sabe, em indemnizações milionárias. Zuckerberg, aluno da prestigiada Universidade de Harvard, foi um indivíduo que passou despercebido até ao dia em que decide criar uma rede social reservada a alunos de Harvard e enfrentou um processo instaurado pela própria instituição de ensino devido a violação de privacidade dos alunos. Esta seria a primeira vez que o dono do Facebook enfrentaria acusações graves.

De facto, Zuckerberg conheceu um grupo de alunos que tinha em mente um projecto de criação de um site muito parecido com aquilo que o Facebook se tornou, uma rede social, ideia que Zuckerberg viria a roubar. Eduardo Saverin (Andrew Garfield), co-fundador da maior rede social da actualidade, era o melhor amigo de Zuckerbeg e foi também quem inicialmente contribuiu com verbas para o lançamento à maior escala deste mega projecto, conhecido inicialmente como The Facebook. Entretanto aparece em cena Sean Parker (Justin Timberlake), famoso já na época por ter criado o Napster - que entretanto faliu -, revelando-se uma pessoa traiçoeira e manipuladora que convenceu Zuckerberg a abdicar dos serviços do melhor amigo e atraiu os maiores investidores californianos para a expansão do Facebook.

Sem dúvida que ter a fortuna e a fama será extremamente atractivo, no entanto, pisar o círculo de amigos mais próximos para alcançar esse feito será igualmente pouco ético. A Rede Social relega para segundo plano a fortuna que a empresa mais poderosa da actualidade granjeou aos seus criadores, focando-se antes nos valores humanos dos mesmos. Enquanto filme, é banal em quase todos os aspectos, excepção feita à interpretação de Jesse Eisenberg.

Título original: The Social Network
Argumento: Aaron Sorkin, Ben Mezrich
Realização: David Fincher

quarta-feira, 18 de julho de 2012

«O Grande Gatsby» readaptado ao cinema


O Grande Gatsby, romance da autoria de Francis Scott Fitzgerald, será novamente adaptado ao cinema pela mão de Baz Luhrmann, realizador de Moulin Rouge! e Romeu + Julieta. Leonardo DiCaprio (Revolutionary Road) interpretará o papel do misterioso magnata, Tobey Maguire (Homem-Aranha) será Nick Carraway, Carey Mulligan (Drive) e Joel Edgerton (Warrior - Combate Entre Irmãos) o casal Buchanan.

O filme tem estreia marcada para o Natal desde ano nos Estados Unidos.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

«Spun»


O cinema e a televisão estão, de há uns anos para cá, interessados na exploração da temática das drogas pesadas. Cheech & Chong popularizaram nos anos 70 aquilo que hoje está em voga em Breaking Bad e outros filmes interessantes sobre substâncias proibidas que lentamente condenam o consumidor a um fim deplorável já visto em A Vida não é um Sonho

Ross (Jason Schwartman, Gostam Todos da Mesma), Nikki (Britanny Murphy, Sin City - Cidade do Pecado), The Cook (Mickey Rourke, O Wrestler), Cookie (Mena Suvari, Beleza Americana), Spider Mike (John Leguizamo, Terra dos Mortos) e Frisbee (Patrick Fugit, Wristcutters:A Love Story) fazem parte deste elenco de actores famosos que interpretam um grupo de pessoas aparentemente amigas completamente viciados em crystal methamphetamine, também conhecido por “spun”, droga que é conhecida pela adrenalina e energia oferecidas. Vivendo em função da próxima dose e daquilo que The Cook consegue cozinhar, Ross dirige-se regularmente à casa onde vivem Spider Mike e Cookie, que fazem a distribuição da droga. Lá encontra um Frisbee que vive num mundo de vídeo jogos, drogas e música, num estado físico de meter dó (assim como o de Cookie) e uma local onde nem animais gostariam de lá viver. Acaba por conhecer Nikki – que é a namorada de The Cook – de quem se torna amigo e um condutor de serviço/distribuidor de droga.

Em termos de desenrolar da narrativa, assistimos à vida irresponsável de Ross, um jovem que perdeu a namorada e que se esquece da actual companheira atada à cama com a boca e olhos tapados, um jovem que abdica de tudo para ir ter com Spider Mike e “snifar” uns gramas, arranjar um “boost” para se esquecer da sua vida. Há também a vida de stripper de Nikki e do mau relacionamento amoroso, ainda que por vezes este pareça normal, e das suas capacidades mais humanas, por assim dizer. As personagens afirmam aquilo que todos os drogados costumam dizer quando questionados sobre a dependência das drogas, ou seja, que podem parar quando quiserem, mas a verdade é que assistimos aqui a uma completa desorientação e irresponsabilidade dos que consomem crystal methamphetamine. 

Não há um grande sentido de esperança em relação a um futuro melhor ou algo que inclua uma vida sem adrenalina sintética, e creio que a realização não pretendeu dar essa impressão. Spun tem defeitos, a começar pela história que é previsível e com um nível de intensidade baixo para este tipo de temática, mas é um bom filme com um bom elenco de actores.

Argumento: Will De Los Santos, Creighton Vero
Realização: Jonas Åkerlund 

sábado, 14 de julho de 2012

«Iron Sky»


Afinal o Terceiro Reich não foi derrotado na segunda guerra mundial. Em vez disso, os nazis foram colonizar a Lua e viver lá felizes para sempre, sem a intromissão dos terrestres.

Em  2018, o planeta Terra comandado pelos Estados Unidos da América (quem mais?) enviou mais alguns astronautas para a Lua, acabando por descobrir a colmeia da nação ariana. O único astronauta sobrevivente é capturado, mas promete ao novo Führer (Hitler morreu mesmo em 1945) que entrará em contacto com a Presidente dos Estados Unidos (que parece uma sósia da republicana Sarah Palin) para receber e apreciar a grandeza nazi. Até aqui nada de original e todos os ingredientes para um grande filme de culto sci-fi/comédia estão reunidos, não faltasse desenvolver melhor o resto do filme.

O humor é previsível, gasto, envolvendo-se quase sempre no não-humor, oscilando entre a propaganda pacífica de O Grande Ditador e a admiração de Charlie Chaplin por Adolf Hitler que este novo império faz passar aos seus cidadãos, as piadas sobre as raças negras e brancas, um astronauta negro que fica albino, o suposto avanço tecnológico dos nazis – ainda que a sua base seja imponente -, a imitação da famosa cena de Hitler na sala com os seus oficiais em A Queda, etc. E como os filmes têm que vender, a professora/namorada do futuro Führer da lua e a assistente da Presidente, que integram o elenco principal, são tipo as gajas de Ermesinde da série Gato Fedorento, ou seja, boas para disfarçar um pouco as prestações e encher o olho masculino.

Os primeiros trinta minutos são interessantes e prometem um novo super filme meio underground, meio Hollywood, mas rapidamente esquece as origens europeias do realizador e se transforma em Los Angeles. 

Argumento: Johanna Sinisalo, Jarmo Puskala, Michael Kalesniko
Realização: Timo Vuorensola

quinta-feira, 12 de julho de 2012

«American Pie: O Reencontro»


Treze anos depois do primeiro American Pie e de todas as sequelas e franchisings desnecessárias, os rapazes e raparigas do East Great Falls High School reúnem-se para um fim de semana escaldante e nostálgico. Sim, parece que foi ontem que Jim fornicou uma tarde de maçã para ver como realmente a coisa era

Muito mudou na vida dos adolescentes de Michigan: Jim e Michelle casaram-se e têm um filho, Oz e Heather e Kevin e Vicky seguirem vidas amorosas separadas, embora seja ainda evidente que a atracção está lá, Finch continua apaixonado pela mãe do Stifler, Stifler continua o mesmo miúdo irresponsável, e o pai de Jim está pronto a reencontrar o amor após ter perdido a esposa. Em termos de filme enquanto filme, American Pie: O Reencontro é previsível em todos os aspectos e a receita que fez do primeiro um grande sucesso, continua presente: nudez, actores e actrizes de 30 anos a passarem-se por 18 anos, piadas estúpidas, rapazes da Men’s Health, raparigas da Maxim, partidas infantis e mais coisas estúpidas. Mas resulta tudo de forma razoável.

Depois de se reunirem e verificarem que ainda continuam a ser os mesmos miúdos de sempre, todos estão convidados para uma mega festa e baile de gala no antigo liceu onde todos conjecturaram planos infalíveis para a perda da virgindade – sim, o Sherminator e Nadja também marcam presença, assim como a invocação do termo MILF!. O sentimento de déjà vu e previsibilidade é enorme, mas isso não tira a diversão que a película pode proporcionar. Não estaríamos à espera de muito grande por parte de actores que nunca fizeram nada de realmente importante ou ousado desde a saga American Pie, pois não? No caso de Mena Suvari a situação é ainda mais embaraçosa: um super papel em Beleza Americana e meia dúzia de papéis insignificantes noutros filmes também da mesma categoria.

American Pie: O Reencontro tem à sua volta um sentimento de ternura e nostalgia para quem seguiu a evolução (regressão, neste caso) da franchise – para os adolescentes que obtêm o primeiro contacto com este Jim & Companhia, acredito que seja o seu filme do ano.

Título original: American Reunion
Argumento: Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg, Adam Herz
Realização: Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg

segunda-feira, 9 de julho de 2012

«Terminal de Aeroporto»


Maioritariamente envolvido em projectos com receitas milionárias e em filmes que marcam gerações, Terminal de Aeoporto é uma comédia amorosa e dramática surpreendente e agradável. Para Tom Hanks a sensação das comédias e dramas não é de todo desconhecida se recordarmos Forrest Gump e Sintonia de Amor.

Hanks interpreta o papel de Viktor Navorski, um cidadão da Cracósia (uma nação fictícia localizada algures no leste da Europa) que aterra em Nova Iorque no aeroporto JFK e se vê metido numa questão política invulgar: visto que Cracósia se encontrava num golpe militar, os Estados Unidos da América não a reconhecem como país e Viktor não pode sair do aeroporto, caso contrário será detido… e também não pode ser deportado, visto que não cometeu nenhuma ilegalidade. Baseado na história de Merhan Karimi Nasseri, um cidadão iraniano refugiado que viveu no aeroporto de Paris Charles de Gaulle de 1988 a 2006.

Sem perceber muito de inglês e capaz apenas de articular “bom dia” e “boa noite”, Viktor estabelece amizades instantaneamente graças à sua humildade e bom humor enquanto tenta escapar ao chefe de segurança Frank Dixon (Stanley Tucci) com a ajuda dos seus novos amigos que trabalham no aeroporto. É neste local onde se cruzam diariamente milhares provenientes de variadíssimos destinos que Viktor conhece Amelia (Catherine Zeta-Jones), uma hospedeira de bordo com uma vida amorosa instável que se deixa cativar pela amizade de Viktor.

Divertido e com uma boa dose de ternura, o filme centra-se primariamente na luta de Viktor contra as autoridades e as técnicas que este usa para viver no aeroporto e, numa segunda fase, no romance com Amelia. Não obstante a recepção da crítica com algumas notas medianas, Terminal de Aeoporto enriquece os currículos de Spielberg e de Tom Hanks e entretém-no com muito prazer.

Título original: The Terminal
Argumento: Sacha Gervasi, Jeff Nathanson
Realização: Steven Spielberg 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

«Kick-Ass - O Novo Super-Herói»


Um geek de óculos e devorador de BDs tem por sonho tornar-se num novo super-herói para conquistar assim o respeito de todos e o amor das mulheres. Próximo passo: encomendar um fato ridículo de mergulhador ou algo que o valha e algo para tapar a cara para ir para a rua combater o crime. Primeiro round: um enxerto de porrada e uma facada no estômago. As coisas não correram muito bem, daí que à segunda correrá melhor, ou menos pior, claro. 

Esta é a nova vida de Dave Lizewski (Aaron Johnson), um zé ninguém cuja vida não lhe corre nada bem. Do outro lado está Damon Macready (Nicolas Cage), um ex-polícia que perdeu a esposa e foi tramado pelo barão da droga Frank D'Amico (Mark Strong), que tem agora que tomar conta da filha de dez anos. Educar uma criança não é tarefa fácil: devemos oferecer-lhe amor, carinho, dedicação, brinquedos e certificar-nos de que ela crescerá num ambiente saudável e pacífico. Podemos também fazer como Damon e criar uma máquina assassina perfeita, podemos também igualmente (porque não?) fazer uma dupla de super-heróis pai/filha. 

Pelo meio, Dave tem que conquistar o amor de Katie (Lyndsy Fonseca), uma das raparigas mais giras do liceu, mas as coisas não correm mesmo nada de feição ao protagonista: há um rumor de que ele é homossexual. O melhor, portanto, será fazer proezas a combater o crime e colocar vídeos dessas façanhas no You Tube. Uma vez mundialmente conhecido, Dave tem motivos de sobra para arranjar forma de ser espancado, mas à última da hora lá aparecem Hit Girl (Chloe Moretz) e Big Daddy para salvar a situação, pois claro. Kick-Ass - O Novo Super-Herói é uma comédia divertida e moderadamente original que explora o lado menos bom dos super-heróis, utilizando algum humor negro para amenizar momentos dolorosos dos que fazem justiça pelas próprias mãos. 

Ao contrário de algumas tentativas falhadas que tentam abordar este lado mais realista dos heróis, como por exemplo Super, esta adaptação da banda-desenhada de Mike Millar é capaz de evitar de levar ao extremo os momentos de fúria por conta própria das personagens heroínas, ainda que inclua também situações fortuitas e inverosímeis – e isso tinha que estar presente, obviamente. Kick-Ass é um falhado e franzino super-herói salvo por uma menina de dez anos que sabe brincar às pistolas como um adulto. De facto, Chloe Moretz torna-se quase na personagem central deste filme, emprestando uma boa maturidade ao papel de Hit Girl.

Enfim, não sendo um filme estrondoso e obrigatório, este Kick-Ass - O Novo Super-Herói é um poço de boa disposição e entretenimento – e uma oportunidade única para Nicolas Cage esquecer a anedota de filme que Ghost Rider é.

Título original: Kick-Ass
Argumento: Jane Goldman, Matthew Vaughn, Mark Millar
Realização: Matthew Vaughn

terça-feira, 5 de junho de 2012

«Moneyball - Jogada de Risco»


Um grande orçamento nem sempre é significado de vitória, ou muito menos de vitória fácil. Na maioria das vezes, as equipas com um maior nível de dinheiro para gastar conseguem contratar os melhores jogadores e técnicos, rentabilizando o investimento feito pois o retorno é sempre substancial. Aconteceu assim no mundo desportivo com os Minnesota Twins de 1987, com a Dinamarca 1992, com a Grécia de 2004, com os Chicago Bulls de 1991, com os Detroid Pistons de 2004, entre outros.

Este filme, baseado no livro Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game de Michael Lewis, é sobre o mundo do beisebol (“baseball” soa melhor) e retrata a história de Billy Beane (Brad Pitt), uma jovem promessa do início dos anos 80 mas que nunca correspondeu às expectativas e que terminou a carreira nos Oakland Athletics. Os A’s, como são conhecidos, equipa criada em Filadélfia – foram primariamente os Philadelphia Athletics -, são uma equipa com poucos títulos na Major League Baseball que tem como Director Geral Beane desde 1998 e que em 2001, ano em que perderam jogadores-chave para os tubarões da Liga. Billy Beane é visto hoje como um homem revolucionário do desporto norte-americano graças ao que alcançou com esta equipa.

Beane recruta para seu braço direito Peter Brand (Jonah Hill), um assistente que se baseia em estatísticas aos Cleveland Indians, e ainda que inicialmente fosse complicado explicar à direcção que o jovem Brand, de 25 anos, iria ser influente na reestruturação da equipa, o sucesso chega a Oakland. A grande mudança passa essencialmente por recrutar jogadores com pouca influência, jogadores que praticamente têm as suas carreiras arrumadas, e também contempla o despedimento de alguns jogadores com muitos anos de serviço.

O objectivo de Brad Pitt é apenas um: vencer o campeonato. Esta tarefa é virtualmente impossível, tendo em conta o reduzido orçamento e a dimensão dos A’s no beisebol, mas nada é impossível. Pitt e Jonah atingem nesta película prestações adequadas às personagens que interpretam, representam muito bem a pressão e o clima louco que é fazer parte de uma equipa profissional de um desporto com a grande dimensão que o beisebol tem na América do Norte, mas o mesmo não se pode dizer dos actores que interpretam os jogadores. As cenas onde se desenrolam jogam raramente apresentam os jogadores a jogarem verdadeiramente e, em vez disso, são-nos apresentados ângulos alargados e distantes do relvado com ocasionais lançamentos/tacadas junto à base. É este o grande defeito deste filme.

O filme ganha outra dinâmica com a filha de Beane, que ensina ao pai, através de uma canção acompanhada por guitarra, que vencer não é importante, somos todos perdedores, por isso mais vale desfrutar do espectáculo. Moneyball - Jogada de Risco é um agradável exercício de determinação desportiva, mais entusiasmante que Jerry Maguire, por exemplo.

Título original: Moneyball
Argumento: Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Michael Lewis
Realização: Bennett Miller

segunda-feira, 7 de maio de 2012

«Wristcutters: A Love Story»


É uma das premissas de várias religiões e é algo que ainda se mantém, tantos milénios depois das suas profecias. Vida depois da morte é uma das características marcantes do budismo, por exemplo, sendo que cada ser reencarna após cada vivência cá no Universo; em Wristcutters: A Love Story, do realizador croata Goran Dukić, há sim a vida depois da morte, mas só para quem se suicida.

Após terminar o seu relacionamento com Desiree (Leslie Bib), Zia vê-se tão melancólico e destroçado que corta os pulsos e despede-se do planeta Terra. Não sendo propriamente uma reencarnação budista, Zia (Patrick Fugit) vai parar a uma dimensão desconhecida e exclusiva apenas a todos aqueles que tenham tirado a sua própria vida; aqui ele conhece Eugene (Shea Whigham), um jovem russo que morreu electrocutado a tocar guitarra e ambos partem à procura de Desiree, onde acabam por conhecer Mikal (Shannyn Sossamon) uma jovem que precisa desesperadamente de falar com a entidade superior do universo, visto que ela não se suicidou. Entretanto, estes três amigos chegam ao acampamento do excêntrico Kneller, interpretado por nada mais, nada menos que pelo cantor Tom Waits. No acampamento todos se apercebem que têm poderes especiais, à excepção de Zia, que se vê apaixonar por Mikal.

Num drama com bons toques de humor, fica no ar a ideia de que todos podem ser feliz mesmo na morte e que esta nunca é a solução para nenhum dos problemas, por mais difíceis que estes se nos apresentem. A interpretação por parte de todo este elenco é boa, no entanto destacaria Shea Whigham - ele que nos dias de hoje é o xerife da Atlantic City de Boardwalk Empire –, especialmente nos momentos mais cómicos em que, por exemplo, aplica um boa sapatada ao irmão que se quer matar e lhe pergunta o porquê de continuar a viver e, claro, Tom Waits que representa uma espécie de figura divina nesta película e que sou da opinião de que deveria apostar mais nesta área do cinema.

Wristcutters: A Love Story apresenta-se como um filme interessante de humor seco e moderadamente criativo onde o poder da vida e do amor se apresenta como a mais valia das nossas vidas.

Argumento: Etgar Keret, Goran Dukić
Realização: Goran Dukić