sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

«Uma Pequena Vingança»

 
Os problemas que encontramos na infância e na adolescência quando frequentamos a escola podem ser complicados e gerar situações de violência indesejada, tal como vinganças amargas. O “bullying” é um fenómeno mundial que atinge o maior número de casos nos Estados Unidos da América, país de origem desta longa-metragem.

Este drama, que marca a estreia do realizador norte-americano Jacob Aaron Estes, narra a estória de Sam (Rory Culkin) e os abusos que este vai sofrendo na escola por parte de George (Josh Peck), até que chega a hora de Sam engendrar um plano de vingança. Sam, com a ajuda do seu irmão Rocky (Trevor Morgan) e os amigos Marty (Scott Mechlowicz) e Clyde (Ryan Kelley), convidam George para a suposta festa de aniversário de Sam com o objectivo de fazerem um passeio de barco num belo rio de uma pacata localidade em Oregon (estado onde todos residem), com o objectivo final de humilharem George, deixando-o no rio totalmente nu e obrigando-o a regressar a casa por ele mesmo. Durante a viagem o plano inverte-se quando Millie (Carly Schroeder) - a única pessoa que desconhece o plano - se insurge contra o mesmo; todos se apercebem que George é um miúdo frágil e amigável que sofre de problemas mentais, recorrendo à violência como forma de libertar a raiva. Mas o plano inicial é posto novamente em marcha e acaba por correr muito mal. 

Jacob Aaron Estes retrata aqui a fragilidade humana de uma forma complexa e sensível, vincadamente dramática do primeiro ao último segundo do filme, sem cair em clichés desnecessários de violência gratuita ou despoletar sentimentos marcadamente exagerados por parte de personagens deslocadas em relação ao que o realizador pretende com o filme, como infelizmente se vai verificando por Hollywood. Tem algumas semelhanças com o polémico Bully – Estranhas Amizades de Larry Clark, embora nunca chegue a atingir os níveis de violência que Clark nos vai oferecendo nos seus filmes, focando-se ao invés no sentimento de intranquilidade, culpa e arrependimento que as personagens nos transmitem.

Uma Pequena Vingança foi nomeado e vencedor do prémio Humanitas Prize, no Sundance Festival, e Jacob Aaron Estes arrecadou o prémio Best Directorial Debut  (Melhor Realizador Debutante… passe-se a tradução), no Stockholm Film Festival – entre outros prémios. Um filme que apresenta a carga emocional de Paranoid Park, de  Gus van Sant, merecedor de uma visualização atenta da sua parte… sem as pipocas.

Título original: Bully.
Escrito e realizado por Jacob Aaron Estes. Produzido por Studio Canal, Lions Gate Films, Muse Production, Blacklist Films e Gravity Entertainment.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Crushing Sun «TAO»


O primeiro contacto que tive com a banda foi há cerca de três anos, na apresentação do split Bipolar, com os EAK e devo dizer que, apesar de ter apreciado os seis temas presentes no disco, havia algo mais que podiam fazer. Mal sabia eu – e muitos outros - o que me esperava para os finais de 2010.

Nos últimos anos houve bandas que se limitaram a fazer o mesmo e a quererem imitar o que lá fora se vai fazendo, sem quererem alcançar algo de único e uma identidade própria. Foi com felicidade que fui descobrindo sonoridades com um nível de experimentação elevado em The Firstborn ou ThanatoSchizO e, melhor ainda, constatar que ao vivo essas bandas funcionam com uma coesão e uma espontaneidade assinalável, tal como os Crushing Sun conseguem fazer. Esta banda tem marcado presença pelos palcos portugueses há mais ou menos sete anos e só agora o mérito lhes começa a pouco e pouco a ser atribuído, fruto deste magnífico trabalho que é TAO, que vai perseverando mesmo apesar de a banda não ser nem de Lisboa ou do Porto, mas sim da pequena cidade de Vila do Conde.

O título do álbum é uma clara alusão à filosofia/religião oriental taoista que assenta na busca de um caminho (“tao” significa “caminho”) a ser seguido, o caminho da simplicidade obtida nos sentidos, na intuição e na natureza. Este caminho aqui está dividido em onze passos bem ponderados, estruturados, e todos interligados entre si com músicas de uma maturidade que não é natural encontrar-se num álbum de estreia, na medida em que se nota perfeitamente que os quatro músicos pensaram em criar algo próprio e não quiseram acelerar ou encurtar o processo de escrita. Todas as faixas são potentes e técnicas (sem entrar na cacofonia daquelas bandas assumidamente “progressivas”, cujos membros parecem estar a tocar para si mesmos 99% do tempo), primam pela ausência de refrões orelhudos e causam sentimentos com boa probabilidade de criar referências musicais a uns Meshuggah, Decapitated, Black Sheep Wall, Coalesce ou Gojira. Mas no final, nada passa disso, dessa mesma probabilidade.    
Tenho a certeza de que este registo vai demorar bastante até ser reconhecido no país de origem e também de que as hipóteses de causar mais impacto e reconhecimento no mercado estrangeiro são maiores. TAO é um registo que dificilmente entra à primeira no ouvido e na mente: é bastante obscuro, perfeccionista, rude, melódico, variado e introspectivo para tal efeito.

9/10

domingo, 23 de janeiro de 2011

Irvine Welsh «Trainspotting»


Publicado em 1993, Trainspotting foi o romance que tornou Irvine Welsh num dos mais promissores e talentosos escritores do actual Reino Unido e também da literatura a nível mundial, de tal forma que, três anos volvidos após a sua publicação, a obra foi adaptada ao cinema por Danny Boyle, aumentando exponencialmente o culto à volta de Welsh.

Situando-se temporalmente nos anos oitenta e geograficamente na fria Leith de Edimburgo, Trainspotting narra as peripécias, o niilismo, o mal-estar e a impotência mental para dar a volta à queda social, política e económica de uma Escócia remetida à escravidão do governo de Thatcher. Spud, Sick Boy, Begbie e Mark “Rents” – a nossa personagem principal – são o núcleo duro de um grupo de jovens nascidos na década de sessenta que não buscam a glória, a fama, o dinheiro ou a realização pessoal, por assim dizer; o objectivo de vida de cada passa pela droga no geral, heroína no particular, pelo álcool, por não pensar, por pensar em não pensar, pela apatia, pelo viver hoje e não no amanhã, pelo punk rock de Iggy pop, o psicadélico de Frank Zappa e – mais uma vez – pelo abuso maciço de droga e álcool. 

O romance é narrado através do ponto de vista de cada personagem, por estórias que se vão cruzando todas entre si, devidamente (d)escritas com uma forte carga violenta e sexual e sem qualquer tipo de linearidade. A linguagem é rude, a violência de Begbie é gratuita e sempre sem qualquer motivo – o importante é partir narizes, apenas isso -, o número de canecas de cerveja e outras bebidas ingeridas ao longo do livro é elevado e quantidade de heroína que perfura as veias é constante. Estar sóbrio não passa pela cabeça de ninguém: estar consciente durante a depressão escocesa que assolou os anos oitenta dói e a única forma de abstracção passa por atingir um outro nível. O nível irresponsável e inconsciente dos “chutos”, por exemplo.

Esta e toda a obra de Welsh oferece semelhanças com as de J.G. Ballard, Chuck Palahniuk ou Anthony Burgess – entre outros -, quer a nível temático, quer na intensidade com que as cenas são narradas. É um livro chocante, maduro e essencial, escrito por alguém que viveu de facto o que nele está escrito.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Haruki Murakami «A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol»


Confesso que a pouco e pouco cada vez mais me vou tornando apreciador dos livros de Haruki Murakami e a vontade em comprar mais um romance do japonês aumentou consideravelmente depois das leituras de Norwegian Wood e de A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol. 

O escritor tem uma forma peculiar de (des)crever amor, amizade e relações entre pessoas que me fazem lembrar um pouco daquela melancolia estranha que Franz Kafka aplicou na sua curta existência literária. Há uma enorme sensação de que a personagem tem tudo aquilo o que precisa para viver feliz, de que a vida da mesma é algo que todos nós gostaríamos de ter, e no entanto há sempre algo que falha, algo que nos enfraquece e tira a vontade de sorrir. É nesse aspecto que este romance toca de forma trágica, sem apelo, apagando um pouco a luz do mundo.

Hajime, a personagem principal, nasceu em 1951, filho único de uma família da classe média num Japão a recuperar do pós-guerra, conhece Shimamoto, uma estranha rapariga com uma deficiência numa perna que rapidamente se torna na sua melhor amiga, apesar de os laços de amizade entre ambos não parecerem fortes. O elemento mais simbólico que une estas duas pessoas é o disco que Shimamoto tem em casa, de Nat King Cole intitulado South of the Border; os dois adolescentes aparecem em várias ocasiões a ouvir e a discutir a música jazz. Suponho que este momento fosse o grande “escape” que tanto um, como outro procuram para se refugiarem do estigma de serem filhos únicos numa década onde isso era muito invulgar e que originava algum mal-estar entre famílias.

Com o passar do tempo, e ainda na adolescência, as personagens acabam por se distanciar e perder o contacto entre si. Hajime começa a namorar com Izumi no liceu, até que acaba por se casar com Yukiko, já com trinta anos e acaba por abrir um bar de jazz de grande sucesso. É nesta altura que Shimamoto regressa à vida de Hajime, prestando-lhe uma visita ao bar, e é também este o momento que desperta o amor entre ambos. O disco de Nat King Cole aparece mais uma vez nesta relação condenada ao fracasso.

Há aqui toda uma forte carga erótico/sensual bastante invulgar e uma dicotomia estranha entre felicidade/miséria – por vezes escritas numa simbologia que está verdadeiramente nas entrelinhas (atente com atenção no título e no final do livro) – já explorada em Norwegian Wood que tem enorme potencial para seduzir qualquer tipo de leitor, independentemente de as suas escolhas literárias recaírem em autores que não tenham muito em comum com Haruki Murakami.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Deftones «Diamond Eyes»


Por vezes questiono-me por que motivo há bandas que teimam em fazer algo que se situa entre bons a excelentes álbuns e, pior ainda, por que razão não têm um único álbum mau na discografia. Os Deftones são um desses raros casos: o tempo passa (vinte anos), os álbuns saem (seis), o meu dinheiro fica nas lojas, as músicas ficam no ouvido e fico sempre feliz sempre que ponho o disco a tocar. Não há direito.

O tempo pode voar, fazer asa-delta ou o que bem que lhe apeteça, mas o facto é que desde o lançamento da obra-prima da banda, White Pony, este é o disco que mais me cativa e que mais tempo de escuta leva (atendendo à sua ainda existência) - sem qualquer desprimor para Deftones ou Saturday Night Wrist – e que a pouco e pouco me vai recuperando as memórias da adolescência, da acne, e dos tempos em que perdia tempo a ver videoclipes dos singles da obra-prima. Diamond Eyes é o primeiro registo da banda sem o carismático baixista Chi Cheng, vítima de acidente de viação em 2008, substituído por Sergio Vega da banda de post-hardcore Quicksand e tal como acontece em todo o material de Deftones, requer várias audições para que a essência seja bem recebida e compreendida. Diamond Eyes é um disco bastante eclético, suave e carregado de emoção (Sextape), a espaços directo (CMND/CTRL) e no geral apaixonante (Beauty School). Um exemplo de que na simplicidade está o ganho é a faixa de abertura, com o mesmo título do álbum: apesar de seguir a estrutura típica de uma canção pop (verso/refrão, verso/refrão, verso/refrão) e de entrar facilmente no ouvido, é um faixa excepcional e de uma beleza e letra que transcende.  

As letras em muitas bandas acabam por passar despercebidas e por vezes algo irrelevantes, ao passo do processo criativo escrito e visual dos Deftones que neste disco recuperam bastante o imaginário e a temática de White Pony, focando-se na paixão, erotismo, positivismo e fantasia, não descurando também um pouco da agressividade da vida. A produção a cargo de Nick Raskulinecz (que já trabalhou com bandas como Foo Fighters ou Alice In Chains) está no mesmo patamar da que Terry Date efectuou no “pequeno pónei”. Um disco que mal termina, dá vontade de fechar os olhos e ouvir novamente.

8.5/10

«Beleza Americana»

     
Um verdadeiro murro na indústria cinematográfica é aquilo que o primeiro filme de Sam Mendes, Beleza Americana, representa para mim. Ainda me recordo de ver este filme há onze anos atrás: mesmo não sabendo sequer a sinopse, havia algo no cartaz (Mena Suvari parcialmente nua, coberta por rosas vermelhas) que se encontrava exposto à entrada do cinema que me "obrigou" a entrar, sentar-me na cadeira e apreciar até ao mais ínfimo detalhe aquele que rapidamente se tornou no meu filme predilecto. Este drama avant-garde é uma verdadeira obra-prima lançada em 1999, vencendo vários Óscares da Academia, calando ao mesmo tempo vários críticos que se estavam cépticos quanto ao valor de Sam Mendes e ao carácter mais "europeu" que marca esta longa-metragem.
             
Começando com "flashbacks" , o filme conta-nos a estória de Lester Burnham (Kevin Spacey), um homem de 42 anos que se encontra no meio de uma “crise de meia-idade”, odiado tanto pela sua esposa Carolyn (Annette Bening), como pela sua filha Jane (Thora Birch), que se sente extremamente sedado e adormecido. A nossa personagem principal conhece os vizinhos Fitts,: Ricky (Wes Bentley), um vendedor de droga que tem de enfrentar e ser como o seu pai, o Coronel Frank Fitts (Chris Cooper), uma pessoa extremamente homofóbica, patriota e que se define por um modo de estar na vida extremamente militar e formal. Ricky é um adolescente estranho, extremamente confiante, que filma obcecadamente Jane (que primeiro o odeia), acabando por se tornarem namorados. Lester tem uma vida miserável, tanto a nível social e conjugal, tendo mesmo uma esposa que o despreza. Carolyn é frígida, insegura e falsa (primeiro está a imagem, só depois vem a felicidade…) acaba por ter um caso amoroso com um dos seus rivais no ramo das imobiliárias: Buddy (Peter Gallagher), destruindo por completo o pouco que ainda restava do seu casamento com Lester.    O renascer deste dá-se quando conhece Angela (Mena Suvari), a melhor amiga da sua filha e uma “cheerleader” que aparenta ser promíscua e confiante.
           
Beleza Americana retrata a vida de um homem que em menos de um ano morrerá, e sem que o saiba, renasce e deixa de parte a costela material da sua vida: os luxos, a vida de aparências, o emprego monótono, e a sua relação conflituosa com a sua esposa e filha. Ao apaixonar-se por Angela, Lester apercebe-se de que quer viver apenas de modo humilde, totalmente anti-materialista, e ser feliz. O filme é uma sátira à sociedade capitalista americana do final dos anos 90 do governo de Bill Clinton: uma crítica ao mundo da concorrência desleal das grandes empresas imobiliárias que caracterizou o segundo mandato de Clinton; uma sociedade consumista que se desliga do real e vive no artificial e que deixou de reparar nas coisas belas da vida (um saco de plástico a dançar no vento é o vídeo preferido de Ricky, um jovem aparentemente “chanfrado”, que ao longo do filme se revela frio e enfrenta o pai severo); os casamentos de aparências, uma sociedade que molda os adolescentes de acordo com o sonho americano… uma sociedade que deixou de viver (Carolyn é o melhor exemplo desta questão). A homofobia presente no Coronel Frank Fitts é outro dos pontos importantes do filme. Frank é um pai obcecado pela educação militar, republicana e severa do filho, e um homem triste que vive dentro de uma carapaça que o impede de ser o que ele realmente é: um homossexual. Este tipo de vivência social material e repressiva dos nossos desejos verdadeiros marcou uma era e curiosamente ainda marca a nossa.

Uma viagem aos subúrbios norte-americanos e sequências de histórias de amor que aborda temas como solidão, beleza, tristeza ou ódio, sem deixar de lado as relações entre homens maduros e jovens raparigas, o consumo casual de drogas, a homossexualidade no Exército, sexualidade entre adolescentes, a obsessão pela vida dos vizinhos, o amor e ternura existentes entre as mais conflituosas famílias e a já mencionada cena do saco de plástico dançante, fazem com que Beleza Americana faça todos aqueles que vivem como Lester questionem se realmente estão mortos ou se ainda vão a tempo de renascer.

Título original: American Beauty.
Realizado por Samuel Mendes. Escrito por Alan Ball. Produzido por Jinks/Cohen Company e DreamWorks SKG.

Haruki Murakami «Norwegian Wood»

H

Dois anos mais tarde, reencontrei novamente Haruki Murakami. Sputnik, Meu Amor foi o meu primeiro contacto com o popular escritor japonês: uma obra que achei razoável, mas que não me tinha fascinado ao ponto de a colocar – nem ao autor – num patamar elevado, talvez porque na altura estava a ler obras de outros autores que aprecio mais, ou porque simplesmente o livro não era aquele que eu deveria ter escolhido para me iniciar no mundo de Murakami. Não sei ao certo a resposta, mas Norwegian Wood teve um impacto em mim que não esperava.

O romance tem lugar nos anos sessenta e retrata a vida de Toru Watanabe, um jovem que acaba de se mudar para uma Universidade privada em Tóquio. Mas as primeiras páginas do livro não se passam no Japão nem nos anos 60; passam-se na Alemanha dos anos oitenta onde a nossa personagem principal recorda com carinho e muita nostalgia os tempos que viveu na faculdade, os amigos que tinha, o modo de vida que promíscuo que adoptava e o grande amor da sua vida: Naoko. Ao longo da obra são-nos dados a conhecer o Japão que conhecemos, desde o nacionalismo, revoluções nas universidades  que não resultaram em nada e cujos resultados das mesmas foram o regresso à extremamente bem organizada vida - e uma “estranha” admiração do autor pela literatura e música do ocidente. A verdade é que as personagens lêem constantemente livros de autores europeus e norte-americanos (Thomas Mann, John Updike, Hermann Hesse, Joseph Conrad, Fitzgerald…) do mesmo modo que consomem música clássica e a pop dos Beatles, que como se sabe têm uma canção com o mesmo nome deste livro. Watanabe e os seus amigos divertem-se a beber em excesso, a tocar guitarra e cantarolar canções dos Beatles e de outras bandas do género da época – lembremo-nos que decorria a guerra do Vietname -, enquanto o resto da sociedade japonesa vive como a conhecemos: pontual, rigorosa e extremamente metódica.

De facto, esta atracção do autor pelo ocidente tem-lhe causado variadíssimas críticas por parte da crítica japonesa de há muitos anos para cá… Mas a verdade é que o Ocidente, especialmente a literatura britânica e norte-americana, sempre esteve bem servido em termos de criativos e, portanto, não me estranha nada que este mesmo escritor tenha outro livro intitulado Kafka à Beira-mar. Não obstante as referências ocidentais, esta obra está repleta de referências ao dia-a-dia japonês da década de sessenta e setenta, de pormenores deliciosos e surpreendentes diálogos por parte de personagens diferentes mas igualmente interessantes (sem esquecer a sumptuosa forma como as montanhas e as cidades são descritas, especialmente no inverno). Não perca mais tempo a ler as minhas palavras: descubra a beleza melancólica de Norwegian Wood Hpor si mesmo.