domingo, 15 de janeiro de 2012

Herta Müller «Tudo o Que Eu Tenho Trago Comigo»


Algures entre o desespero e a fome, este romance transborda humildade por todos os seus poros, mesmo quando parece já não haver fuga à tragédia. Herta Müller, galardoada em 2009 com o Nobel da Literatura, prossegue com a sua crítica ao regime comunista e a sua invasão à Roménia e perseguição aos alemães nascidos naquele país, findada a Segunda Guerra Mundial em 1945.

Leo Auberg, de 17 anos, acaba deportado para os campos de concentração da União Soviética e, através desta personagem, a autora reúne pedacinhos da vida do seu amigo e poeta Oskar Pastior, recriando o horror do desprezo pelas vidas de inocentes que pereceram pelas mãos soviéticas. Sem qualquer aviso e sem tempo para se despedirem das famílias, milhares de romeno-alemães foram laborar nos campos de concentração da extrema-esquerda radical, enfrentando condições climatéricas arrepiantes e condições de vida que os judeus de Auschwitz haviam experienciado, lamentavelmente. A prosa de Müller é bastante poética, honesta e crua. Demasiado crua, por vezes.

As personagens que fazem parte desta obra fazem jus ao título da mesma. O pouco ou nada que têm está à vista e, nos seus corações, encontram forças para continuarem a viver, a regozijarem-se sempre que há uma batata crua para comerem, a valorizarem aquilo que a nós, os que vivemos numa sociedade aparentemente livre e materialista, nos causa indiferença. Não só é exposta a miséria e a brutalidade do pós-guerra, como também é servida uma lição de humildade e gratidão pelas pequenas coisas que nos rodeiam. Estar vivo e ter uma cama onde dormir, comparado com o realismo com que a autora descreve a narrativa, são luxos.

Tudo o Que Eu Tenho Trago Comigo
é um romance que não deixará, de forma alguma, indiferentes os seus leitores. Praticamente tudo nele tem a capacidade de comover e sensibilizar, e, mesmo apesar desta situação, isso é suficiente para o leitor desfrute e encontre também alegria neste terno testemunho.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

*shels «Plains of the Purple Buffalo»


Aquilo que começou como algo puro e de grande valor, rapidamente se tornou em clichés e cópias de cópias. O movimento post-rock, que nos últimos vinte anos teve como máximos representantes Sigur Rós, Mogwai ou Grails, é algo que por muito que custe admitir, se tornou numa moda: foto promocional - quando incluída – abstracta, na medida em que os membros têm que parecer distraídos a olhar para o vazio; começar o tema de forma muito calma, inserir dois ou três riffs potentes, fazer crescer a intensidade, algumas palavras desconexas, e repetir até atingir, em média, os dez minutos. Aí está um álbum de post-rock.

Felizmente, ao longo dos últimos anos o género foi-se reinventando, muito graças ao esforço dos Swans, Neurosis, Pelican, Russian Circles, The Sea and Cake ou Tortoise, e o mercado sofreu algumas interrupções na estagnação. A juntar a este lote restrito temos os *shels, grupo norte-americano/britânico resultante da fusão de membros de Mahumodo, Devil Sold His Soul, Eden Maine e Fireappple Red, que se estreou em 2004 com o EP Wingfortheirsmiles e o, já icónico longa-duração, Sea of the Dying Dhow três anos mais tarde. No ano passado presentearam-nos com um dos melhores de 2011 em qualquer categoria e, na minha opinião, o trabalho mais forte do grupo até à data. A estrutura dos temas é variada e assenta bastante nos instrumentos de sopro, que conferem uma aura diferente ao já de si rico e atmosférico som, combinado com algumas letras positivas e bonitas. Apesar de algumas vocalizações mais estridentes que se fazem ouvir logo no primeiro tema, Journey to the Plains, há uma clara atenção direccionada à melodia instrumental e vocal, totalmente patente, por exemplo nas duas partes do tema homónimo e nomeadamente no tema que mais impressiona, Butterflies on Luci’s Way.

A riqueza instrumental e a diversificação da mesma presente no disco, tornam-no no melhor disco deste conjunto, fugindo sempre ao marasmo que acontece ao fim de dois, três minutos no actual panorama musical; nenhum dos temas incluídos neste trabalho poderia ter sido excluído, tal é a forma coesa – brilhante, mesmo – como  Plains of the Purple Buffalo soa, não havendo espaço para “fillers” ou plágios. Tudo aqui é genuíno, arrogantemente original e terno, capaz de satisfazer o ouvido e a mente e crescer cada vez que o disco começa a girar.

9/10

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Michael J. Fox «Lucky Man: A Memoir»


Michael J. Fox publicou, em 2002, este livro de memórias que é bem mais que uma tradicional descrição linear dos seus dias de ouro no cinema e na TV, ao contrário daquilo que encontramos quase sempre numa “memoir”. Este é um testemunho real e genuinamente divertido e algo comovente do principal embaixador da luta contra a doença de Parkinson.
 
O actor canadiano, que em 1982 atendeu uma chamada da NBC numa cabine de telefone pública, (à falta de telefone no seu micro-apartamento nos arredores de Los Angeles) que mudaria toda a sua vida e o transformaria no Alex P. Keaton que entreteve as famílias norte-americanas na década de 80, conta a sua vida desde os dias em que nasceu e da infância no sul do Canadá até aos seus dias em Nova Iorque, com informação detalhada sobre as dificuldades que enfrentou ao abandonar o liceu em busca de uma grande carreira em Hollywood até ao dia em que a doença degenerativa neurológica lhe bateu à porta. Em 1990, Fox acordou e reparou que a sua mão não parava de mexer, como se tivesse vida própria, e aquilo que ele considerava uma consequência de mais uma ressaca de uma noite de diversão, tornou-se em algo que o viria a acompanhar até aos dias de hoje. Diagnosticado com uma doença que afecta na sua maioria os idosos, o canadiano/americano viu a sua vida mudar por completo quando este tinha apenas 30 anos e estava no auge de popularidade; ele era Marty McFly, o miúdo do futuro. Depois de vários anos a esconder a doença dos próprios familiares, em 1998 Fox assumiu publicamente a enfermidade e criou uma fundação de apoio aos pacientes de Parkinson.
 
Mas porque é que Michael J. Fox escolheu Lucky Man para este livro? A resposta parece ser simples: apesar da infelicidade e dos graves problemas que a doença de Parkinson lhe provoca, Fox tem uma família que sempre o apoiou e, mesmo não podendo representar mais (retirou-se em 2000 com a série Cidade Louca), ainda tem muito para oferecer ao mundo. A obra é igualmente útil para uma compreensão da doença de Parkinson, detalhada com aquele toque de humor e esperança que o pequeno grande actor nos habituou.


Nota: esta crítica foi baseada na leitura da obra no seu idioma original, o inglês.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

«Drive»


“Melhor filme de 2011”. É desta forma que me apeteceu começar a escrever sobre um dos melhores filmes do final do ano que findou. No entanto, “melhor” é tão cliché e tão relativo que vou mesmo reformular o texto: Drive foi o melhor filme de 2011 porque foi aquele que, entre os que vi – e nem foi um ano mau para o Cinema -, foi o que mais despertou a minha atenção e me encheu as medidas. Não, também não me importa muito se o filme ou os seus actores ganham ou deixam de ganhar os Óscares. É-me indiferente.

Adaptado a partir do romance de James Sallis, Drive conta a estória de um homem sem nome que ganha a vida como duplo no cinema em cenas que envolvem automóveis e que, paralelamente, é um condutor de aluguer; passo a explicar: este condutor conhece toda e qualquer rua de Los Angeles como a palma da sua mão e quem o quiser contratar para fazer um assalto e precisar de alguém para fugir à polícia, dispõe dos serviços deste piloto rápido. No entanto, a partir do momento em que os assaltantes saem do automóvel para fazer o “trabalho”, passam a ter exactamente cinco minutos para regressarem ao bólide, caso contrário ficam por sua conta. É desta forma que decorre a primeira cena do filme, com um grandioso despiste às autoridades e sem qualquer rasto para trás. Estes “trabalhos” são feitos, regra geral, durante a noite.

No prédio deste condutor vive uma bonita jovem Irene, mãe de um filho, com a qual o condutor cria laços afectivos, especialmente com o pequeno Benicio. O marido de Irene é um homem que cumpre a sua pena na prisão e regressa com problemas por resolver com um poderoso homem de negócios que o ameaça e à sua família. Para que esta dívida seja definitivamente saldada, o marido de Irene contrata o condutor para assaltar uma loja de penhores, mas tudo não passava duma cilada e Standard acaba baleado. O condutor é um homem que não parece apresentar qualquer tipo de emoções ou laços afectivos, mas (mais) uma vez ameaçada Irene e Benicio e claramente traído, Ryan Gosling parte para uma vingança sangrenta e as torturas e as execuções são brutalmente explícitas.

Longe, mas muito longe mesmo de ser um filme de violência gratuita ou sangue a jorrar por todos os lados, Drive prima pelo desempenho sóbrio e brilhante de Ryan Gosling, pelos fantásticos ângulos de câmara e tensão constante na curta narrativa que compõe a película. É algo densa a acção em que todo o filme decorre, nomeadamente nas cenas nocturnas em que Ryan Gosling percorre as ruas da cidade dos anjos e na cena em que tem que escapar da loja de penhores numa das perseguições mais realistas de que há memória no cinema de Hollywood. Durante o dia, o palito na boca de Gosling dá a falsa sensação de calma, mas e relembro-o de que o condutor é um homem com sangue frio e treinador para matar; quando menos se espera, algo inesperado surge. Por detrás do sorriso silencioso de Gosling, há um ser que não perdoa traição e ameaças por aqueles os quais nem ele mesmo contaria criar laços de amizade e amor. Falando em amor, e para reiterar que este é um filme que se afasta do típico “hitman” hábil e sedutor, a cena de maior intimidade resume-se a um beijo num elevador - o que se segue a seguir ao beijo é bastante semelhante à cena mais explícita do francês Irreversível.

Lacónico e homem de pouquíssimas palavras, este é o melhor desempenho de Ryan Gosling até à data e um dos motivos pelos quais dá gosto ir ao cinema, mesmo que isso implique sentar-se ao lado de espectadores que não mastigam pipocas, mas que encontram nas mesmas um pasto celestial para um bom ruminar. A banda sonora (elemento muito das vezes relegado para segundo ou terceiro plano) também contribui para isso e, não sendo eu o maior adepto da electro-pop/ambient, Cliff Martinez elaborou um álbum de onde ressalvo o tema A Real Hero que se escuta num passeio do condutor com Irene e Benicio.

Aparentemente previsível e com um título que sugere algo de horrífico como 60 Segundos e um Nicholas Cage no papel principal, a verdade é que Drive, apesar de não ser totalmente original, é um daqueles filmes com um ambiente de cortar à faca a quase todo o instante, com algumas influências de Taxi Driver e tiques do mundo de Tarantino; no final, a vontade de rever os belos planos e o desempenho de Gosling é muita. Filmes envolventes como este não aparecem todos os meses. Nem todos os anos.

Argumento: Hossein Amini, James Sallis 
Realização: Nicolas Winding Refn

domingo, 1 de janeiro de 2012

«Amor, Estúpido e Louco»


Um elenco de luxo de jovens e maduros actores fizeram de Amor, Estúpido e Louco uma das melhores comédias deste ano que findou. Julianne Moore, Steve Carell, Ryan Gosling, Emma Stone, Analeigh Tipton, Jonah Bobo, Marisa Tomei e Kevin Bacon fazem parte de um mundo de personagens que estão todas interligadas umas com as outras, mesmo não o sabendo… inicialmente.

O casal Weaver separa-se fruto do caso de Emily (Moore) com um colega de trabalho (Bacon), a baby-sitter Jessica (Tipton) está apaixonada por Cal (Carell), o filho Robbie (Jonah) está profundamente apaixonado por Jessica, Hannah (Stone) vive numa relação superficial até conhecer Jacob (Gosling), o misterioso engatatão - o mesmo que Cal vai conhecer e ver a sua vida amorosa sofrer uma volta de 360 graus, uma vez que fica sobre “protecção” e “aconselhamento” do jovem charmoso. Novas roupas, nova forma de estar fazem com que o quarentão Cal conheça e leve para a cama nove mulheres (ele que só tinha feito sexo com a sua esposa…), sendo que uma delas é Kate (Tomei), a professora do seu filho. No entanto, e por mais mulheres atraentes e jovens que Cal vai conhecendo, o seu amor pela esposa prevalece e fá-lo-á tentar reatar a relação com a ainda sua esposa, esquecendo a traição desta. Emily, por sua vez, ao ver um Cal “renovado” e com muitas mulheres na sua vida, reacende a velha chama e dispõe-se a conceder uma nova vida ao casamento. Jacob acaba por se apaixonar por Hannah e a vida de “playboy” fica para trás, o problema é que Cal não aprova este namoro porque o mentor transformou precisamente o Sr. Weaver num… Jacob.

Amor, Estúpido e Louco mostra, entre outros aspectos, um Ryan Gosling diferente do habitual e dos papéis brutais e directos que costuma representar (Drive, Stay - Entre a Vida e a Morte). Gosling – um dos actores do momento, realce-se – é o oposto do bon vivant sedutor e superficial que inicialmente representa e tudo muda quando conhece Hannah (mais um bom desempenho de Emma Stone), a rapariga que o quer “montar” (literalmente) e ser mais uma das centenas de raparigas bonitas que cai na cama de Jacob… no entanto, o plano acaba por correr de forma totalmente diferente e o jovem acaba por se abrir e mostrar como ele realmente é por dentro daquelas roupas, casa e carros extravagantes. Não podia deixar de mencionar a lição de amor que o pequeno Jonah dá a todos aqueles que lutam pelas suas almas gémeas, mas que acabam por desistir. Pai, mãe e filho descobrem que vale a pena lutar por quem verdadeiramente se deseja ardentemente.

Não é um super filme, mas é sem sombra de dúvidas um filme de muito boa qualidade e diferente das comédias românticas chatas e previsíveis que podemos ver nos cinemas. Por mais que Steve Carell não consiga ser um actor estupendamente cómico (Virgem aos 40, Get Smart - Olho Vivo), representa aqui algo que o aproxima de The Office e O Amor e a Vida Real


Título original: Crazy, Stupid, Love.
Argumento: Glenn Ficarra, John Requa
Realização: Dan Fogelman

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

J. G. Ballard «Cocaine Nights»


O sul de Espanha alberga inúmeros ingleses que vivem em condomínios privados fechados aos próprios espanhóis. Nestas regiões forma-se uma Inglaterra de reformados e milionários que vivem um estilo de vida demasiado relaxado e repetitivo, isolando-se do mundo nas suas casas luxuosas e nas suas televisões por cabo. Estrella de Mar é um condomínio onde crime, violação, álcool, ténis, pornografia, drogas fazem parte do entretenimento, da quota mínima necessária para o bom funcionamento dum paraíso quasi-psicótico.  

Charles Prentice é o principal protagonista dum dos últimos romances do britânico J. G. Ballard, escritor famoso pelas obras Crash e Império do Sol e a profunda reflexão sobre a actual sociedade e criação de uma futurista transgressiva, profundamente utópica e violenta, onde o Homem se torna vítima da sua própria monstruosidade egoísta. O “resort” Estrella de Mar é mais um destes mundos alternativos onde o ritmo criminoso é usado para impor um certo sentido de sociedade organizada e perfeita, onde as infracções à lei são condição sine quai non para o dia-a-dia. Frank Prentice é encarcerado e acusado pela morte da família Hollinger, uma das mais poderosas e ricas da região e, embora todos acreditem na sua inocência, Frank prefere declarar-se culpado para o bom funcionamento da Estrella de Mar e dos outros condomínios que o rodeiam. Charles, arrastado até Espanha para compreender o porquê da estranha decisão do irmão acaba por conhecer Bobby Crawford, o principal responsável pela loucura e agitação do “resort”. As tais infracções referidas que têm de acontecer para que tudo funcione paradisiacamente. 

Antes de Bobby aparecer em cena, os habitantes de Estrella de Mar viviam dependentes de anti-depressivos, psiquiatras e privados de excitação, prisioneiros do aborrecimento e da televisão. Agora, compreendem todos que os crimes que Crawford comete são o seu messias, o único que lhes pode devolver uma vida e um mundo agitado, um mundo o qual só resulta da transgressão e perversão dos parâmetros estabelecidos como padrões do bom funcionamento social. Charles começa também ele a entrar nesta hipnose que o suga para o oposto daquilo que ele defende e, tal como o seu irmão Frank, ele apercebe-se pouco a pouco da utilidade do contrabando de drogas e de alguns incidentes trágicos – entende que todos têm que se sacrificar pelo bem-estar da comunidade. Ballard serve-se deste romance para pôr em questão a utilidade da auto-gestão social e de um mundo onde o colapso de uns é a prosperidade de muitos. 

O conceito é interessante, assim como certas personagens que, bem caracterizadas, entram bem na narrativa. No entanto, o romance revela-se demasiado extenso e pouco dinâmico na maior parte das suas páginas, tornando-se repetitivo e aborrecido ao fim de poucas horas. Ballard, como que também ele arrastado para o mundo de Estrella de Mar, afasta-se em demasia do leitor.

Nota: esta crítica foi baseada na leitura da obra no seu idioma original, o inglês. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

(<Ö>) «Okul»


À excepção de que é oriunda de França e um projecto de um músico apenas, pouco ou nada mais é conhecido sobre esta banda que tem um invulgarmente estranho nome. A edição do disco é limitada a 50 cópias feitas à mão que, a esta hora, devem ter sido vendidas a bom ritmo, dado o conteúdo das mesmas. Eu sou/fui um dos cinquenta sortudos.

O estilo musical de (<Ö>) insere-se algures entre a música ambiente e o drone minimalista executado através de uma guitarra e sons de fundo de grandes obras cinematográficas, alternando o belo e o assustador, gerando um ambiente de pura melancolia meditativa. Não parecendo pretender ser um álbum depressivo ou de qualquer conotação suicida, os sete temas giram à volta de uma viagem de sonho e fantasia negativa da sétima arte, de Okul até Under the Light of the Black Temple, como uma espécie de filme tipicamente Lars von Trier; a estrutura dos temas do álbum assenta em acordes distorcidos de guitarra que ganham progressão e feedback numa atmosfera sinistra, polvilhada com ecos psicadélicos e sufocantes que geram imagens de desespero e gritos mudos. Sem querer fazer comparações com bandas que aparecem associadas a este projecto, (<Ö>) não se enquadra facilmente no som de uns Earth, pois este artista francês é original no que faz – na medida do que a música ambiente/drone permite explorar, é claro.

Não é também um som noise (rock), mas facilmente se pára para pensar agora no que Thurston Moore e Steve Austin têm vindo a fazer e reparar no rico legado que estão a construir e naqueles grupos que, de forma directa ou indirecta, influenciam. Okul é como a banda sonora de um filme que cada ouvinte cria na sua mente, visto de preferência no silêncio da noite e com um copo de água na mesinha de cabeceira.

7.5/10