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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Killswitch Engage ao vivo no LKA-Longhorn, Estugarda, 09/04/2013



 Foto: Claudia Rose

Casa cheia em Estugarda para assistir ao concerto de promoção de Disarm the Descent e ao regresso de Jesse Leach à banda. Os norte-americanos Killswitch Engage encontram-se em tour europeia com o apoio dos Sylosis e Heartist, que se encarregaram de abrir o concerto. O único motivo pelo qual se consegue justificar uma banda tão banal e genérica como os Heartist a abrir para os colossos de Massachusetts só pode ser explicado por pertencerem à RoadRunner Records, editora que aproveitou para promover o seu catálogo Primavera/Verão com um quinteto que mistura a electrónica/dub step com o techno dos Scooter, as vozes Katy Perry/berros do metalcore e os resquícios do moribundo deathcore genérico moderno.

Findos os 25 minutos iniciais de agonia, os britânicos Sylosis subiram ao palco para debitarem o seu metal técnico e promover o seu recente disco Monolith, sacando os primeiros verdadeiros aplausos da noite. Por volta das 22h00, o sample de Without a Name anunciou a entrada dos Killswitch Engage em palco e, assim que os músicos se instalaram, The Hell in Me responsabilizou-se pela primeira injecção de adrenalina no LKA. Profissionais e verdadeiros entertainers, os bem-dispostos membros da banda prosseguiram com A Bid Farewell e Fixation on the Darkness, de Alive or Just Breathing, arrancando sincronização perfeita com um público jovem que sabia de cor e salteado as letras da obra-prima de Adam Dutkiwewicz e companhia.

Seguiu-se a interpretação de Disarm the Descent sob a forma de New Awakening, momento a partir do qual se pôde observar o quão bem a banda executa os novos temas ao vivo, assim como a confirmação da eficiência e dedicação de Jesse Leach: regressou para ficar, sem margem para dúvidas; ainda que com maior dificuldade em cantar os temas como The End of Heartache (este já em encore) e Arms of Sorrow, que foram gravados com o anterior vocalista Howard Jones, Leach portou-se bem e cumpriu com tudo o que lhe é exigido. 

No entanto, e isto é um facto, Leach e a banda sentem-se verdadeiros peixes na água quando interpretam o material mais antigo: Numbered Days e Self Revolution ecoaram pelas paredes do antigo armazém de Estugarda - convertido hoje num agradável e espaçoso espaço para concertos -, numa determinação e emoção quase indescritíveis para quem acompanha a banda desde os seus primeiros passos, onde eu me incluo. Pela altura em que os riffs de guitarra de Rose of Sharyn se ouviram na sala, já há muito que os presentes cantavam as letras de todos os discos com enorme à vontade e alegria, alegria esta aliada ao êxtase prolongados até ao encore final, onde a banda tocou My Curse, a já referida The End of Heartache e muito provavelmente o tema mais aguardado da noite: My Last Serenade.

Em jeito de analogia ao mundo do desporto, os Killswitch Engage venceram sem espinhas e sem contestação, (pre)enchendo os corações de todos com aquele sentimento de que podiam ter tocado mais este e aquele tema; convém porém referir que a banda interpretou 16 temas e ainda estreou No End in Sight nesta tour europeia. Sem datas marcadas para Portugal, aguarda-se pelo regresso do quinteto que promoveu, em 2002, Alive or Just Breathing no Paradise Garage. 

 Foto: Claudia Rose

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Killswitch Engage «Disarm the Descent»



Poucos pensariam que a banda conseguiria superar a partida de Jesse Leach, em 2002, pois as expectativas eram elevadíssimas e Alive or Just Breathing estava a dar os primeiros passos rumo à conquista do mundo, mas a verdade é que Howard Jones não só cimentou o nome da banda, como a colocou na elite do metal moderno.

Fazendo o balanço, ficam três discos no currículo do ex-Blood Has Been Shed, um registo vocal notável e a saudade, no entanto Disarm the Descent assinala o regresso do filho pródigo nas vozes: Jesse Leach, que regressou em 2012.  Depois de se ter interessado numa carreira profissional de bartender e ter passado por momentos de grande turbulência pessoal e espiritual, Leach juntou-se em 2010 com Adam Dutkiewicz para gravar The Hymn of a Broken Man com os Times of Grace – suponho que o projecto tenha terminado -, uma espécie de rampa de preparação para o sexto disco dos Killswitch Engage da actualidade: muita melodia, bons solos de guitarra, letras diversificadas centradas no positivismo e um som mais polido.

Killswitch Engage II (2009) revelou-se um desapontamento quer para o ouvinte, quer para a própria banda, que segundo o que me foi permitido averiguar, respeitou a vontade do anterior vocalista e apresentou um disco mais melancólico e sombrio - o único na carreira do quinteto de Massachusetts -, cambaleando sobre um mar de problemas pessoais e falta de alento que culminaram com a sua saída; o disco não foi mau, no entanto ficou a sensação de desperdício de talento por parte de todos os elementos, aliada a uma produção deficiente. De qualquer das formas, Disarm the Descent foi produzido novamente pelo guitarrista Adam Dutkiewicz.

Disarm the Descent é um disco muito agradável de princípio ao fim, recheado de bons solos heavy metal, blast beats ocasionais, refrões orelhudos e melódicos, acompanhados por bons berros energéticos e vozes limpas, como manda a tradição. Jesse Leach é actualmente um dos mais versáteis e monstruosos vocalistas do metal, tal é o alcance e versatilidade da sua voz, explorando as transições rápidas entre o agressivo e o limpo/melódico, acompanhado em segundo plano pela habitual voz de Adam Dutkiewicz. No geral, os temas exploram o já referido positivismo e o carácter do ser humano, a vontade de triunfar e a paixão de viver com determinação, aconteça o que acontecer – neste aspecto, continuam a ser uma das bandas mais empolgantes de todos os tempos.

In Due Time, The Hell in Me, No End in Sight, Beyond the Flames  e a quasi-balada Always são os temas que destacaria e que espelham a intensidade de um disco que assinala a passagem de testemunho entre vocalistas. Disarm the Descent bebe um pouco de Times of Grace e do passado da banda, adequando-se aos tempos modernos sem defraudar ninguém e capaz de cativar novos ouvintes.

8/10

quarta-feira, 6 de março de 2013

Killswitch Engage apresentam vídeo oficial de «In Due Time»


Os norte-americanos Killswitch Engage apresentaram o vídeo oficial para In Due Time, o primeiro single de avanço do próximo disco Disarm the Descent.

O sexto disco de carreira do grupo tem data de lançamento prevista para o dia 1 de Abril na Europa.

Vídeo de In Due Time:

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Novo disco de Killswitch Engage em Abril


Os norte-americanos Killswitch Engage revelaram que o novo disco Disarm the Descent será editado a 1 de Abril na Europa e dia 2 na América. O grupo de metalcore, agora com o vocalista original Jesse Leache de regresso, disponibilizou ainda o tema de avanço In Due Time para consulta no You Tube.

Alinhamento de Disarm the Descent:
1. The Hell in Me
2. Beyond the Flames
3. New Awakening
4. In Due Time
5. A Tribute to the Fallen
6. The Turning Point
7. All That We Have
8. You Don't Bleed for Me
9. The Call
10. No End in Sight
11. Always
12. Time Will Not Remain

sábado, 14 de abril de 2012

Killswitch Engage «Alive or Just Breathing»


O álbum que veio a aniquilar o movimento nu-metal veio precisamente da Roadrunner Records. Em Maio de 2002, a editora norte-americana lançou um dos seus melhores discos, um dos mais importantes do espectro metal e aquele que, para mim, continua a ser o meu favorito em toda a década passada.

Formados a partir das cinzas de vários projectos na onda do crossover e hardcore punk, o grupo de Massachusetts incorpora membros de Overcast – por onde passou Brian Fair, vocalista de Shadows Fall -, Seemless, Times of Grace ou Blood Has Been Shed que se vão mantendo concentrados quase exclusivamente em Killswitch Engage. Recentemente a banda viu regressar o vocalista original Jesse Leach, que participou neste disco, mas que abandonou o microfone para explorar sonoridades bem diferentes. Agora, em 2012, o grupo está de novo na máxima força para gravar, espero, um digno sucessor de Alive or Just Breathing.

Claramente influenciados pela primeira parte da história dos In Flames, o quinteto explora bem a fusão do death metal melódico sueco com o thrash – também ele melódico – e o hardcore norte-americano, num estilo musical que já há muito que provou ter que se reinventar, pois simplesmente já não traz nada de novo. Com excepção ao disco de 2009, Killswitch Engage [II], todos os discos editados pela banda são de alta qualidade e demonstram um grupo que ainda se vai conseguir reinventar para estar à altura da exigência dos fãs que – incluam-me – esperam ardentemente por um verdadeiro sucessor da obra-prima de há dez anos. Sim, parece que foi ontem, mas passou já uma década desde que ouvi os riffs pesados de Life to Lifeless e ouvi Jesse Leach a prometer com «the time approaches, […] we will rise, this Babylon falls». O groove e a toda lenta que marcam o tema, ainda que sensivelmente a meio as guitarras puxem um pouco pela bateria e novamente a voz avisa «the time approaches», desfazendo-se em «who will hear your cries as you fall?...». O aviso está dado e a voz crítica e extremamente envolta num positivismo que marca este registo continuará a alertar para a união social e o amor como forma de protesto a todo o mal do mundo.  

A revolução começa dentro de nós mesmos, como tão bem explica Self Revolution, o mosh pit abre com os acordes e os breakdowns de Fixation on the Darkness – um dos temas mais fortes e o exemplo perfeito de como misturar correctamente vozes limpas com peso - e a serenata chega-nos sob a forma melódica, bela, harmónica de My Last Serenade, um dos temas mais cantados em todo o disco e, claro, seguramente um dos mais apreciados pelo ouvinte mais “light”. Os rufar inicial dos tambores de Life to Lifeless e o piano de Just Barely Breathing aquecem a toada do tema mais brutal do disco, To the Sons of Man, levando a escalada rumo ao topo de Rise Inside, com paragem em Temple From the Within (recuperada do disco de estreia homónimo) e numa das passagens mais marcantes do disco em termos de emoção: The Element of One - «Breathe me in, I'm forever deep within, I'm eternal».

Notória a sua repescagem de Killswitch Engage, devido ao ritmo rápido e mais orientado para o death metal, Vide Infra interrompe-se com o instrumental de Without a Name e desagua no estrondoso músculo e coração dos seis minutos de Rise Inside. Chegou a hora de fazer a diferença, compreender o amor que nos une e elevarmos as nossas vozes («Rise inside, free your mind raise your fist! To signify!»), assim nos diz este último tema marcado pela pujança do baixo de Mike D'Antonio e os berros de Jesse Leach – «Embrace what we have… It might be, the last time! In this life we will rise if we find the strength to unify».

Posto isto, Alive or Just Breathing é uma lição de esperança e de respeito pelo que nos rodeia. É um daqueles discos que a compreensão das letras é obrigatória para a absorção da essência que jaz no coração dos seus músicos. Por todo o significado e memória que me traz, pela qualidade musical e pela forma como ainda se mantém actual e de grande referência, nem que pudesse quereria eu mudar o que quer que fosse nesta obra ímpar.

10/10