segunda-feira, 16 de julho de 2012

«Spun»


O cinema e a televisão estão, de há uns anos para cá, interessados na exploração da temática das drogas pesadas. Cheech & Chong popularizaram nos anos 70 aquilo que hoje está em voga em Breaking Bad e outros filmes interessantes sobre substâncias proibidas que lentamente condenam o consumidor a um fim deplorável já visto em A Vida não é um Sonho

Ross (Jason Schwartman, Gostam Todos da Mesma), Nikki (Britanny Murphy, Sin City - Cidade do Pecado), The Cook (Mickey Rourke, O Wrestler), Cookie (Mena Suvari, Beleza Americana), Spider Mike (John Leguizamo, Terra dos Mortos) e Frisbee (Patrick Fugit, Wristcutters:A Love Story) fazem parte deste elenco de actores famosos que interpretam um grupo de pessoas aparentemente amigas completamente viciados em crystal methamphetamine, também conhecido por “spun”, droga que é conhecida pela adrenalina e energia oferecidas. Vivendo em função da próxima dose e daquilo que The Cook consegue cozinhar, Ross dirige-se regularmente à casa onde vivem Spider Mike e Cookie, que fazem a distribuição da droga. Lá encontra um Frisbee que vive num mundo de vídeo jogos, drogas e música, num estado físico de meter dó (assim como o de Cookie) e uma local onde nem animais gostariam de lá viver. Acaba por conhecer Nikki – que é a namorada de The Cook – de quem se torna amigo e um condutor de serviço/distribuidor de droga.

Em termos de desenrolar da narrativa, assistimos à vida irresponsável de Ross, um jovem que perdeu a namorada e que se esquece da actual companheira atada à cama com a boca e olhos tapados, um jovem que abdica de tudo para ir ter com Spider Mike e “snifar” uns gramas, arranjar um “boost” para se esquecer da sua vida. Há também a vida de stripper de Nikki e do mau relacionamento amoroso, ainda que por vezes este pareça normal, e das suas capacidades mais humanas, por assim dizer. As personagens afirmam aquilo que todos os drogados costumam dizer quando questionados sobre a dependência das drogas, ou seja, que podem parar quando quiserem, mas a verdade é que assistimos aqui a uma completa desorientação e irresponsabilidade dos que consomem crystal methamphetamine. 

Não há um grande sentido de esperança em relação a um futuro melhor ou algo que inclua uma vida sem adrenalina sintética, e creio que a realização não pretendeu dar essa impressão. Spun tem defeitos, a começar pela história que é previsível e com um nível de intensidade baixo para este tipo de temática, mas é um bom filme com um bom elenco de actores.

Argumento: Will De Los Santos, Creighton Vero
Realização: Jonas Åkerlund 

sábado, 14 de julho de 2012

«Iron Sky»


Afinal o Terceiro Reich não foi derrotado na segunda guerra mundial. Em vez disso, os nazis foram colonizar a Lua e viver lá felizes para sempre, sem a intromissão dos terrestres.

Em  2018, o planeta Terra comandado pelos Estados Unidos da América (quem mais?) enviou mais alguns astronautas para a Lua, acabando por descobrir a colmeia da nação ariana. O único astronauta sobrevivente é capturado, mas promete ao novo Führer (Hitler morreu mesmo em 1945) que entrará em contacto com a Presidente dos Estados Unidos (que parece uma sósia da republicana Sarah Palin) para receber e apreciar a grandeza nazi. Até aqui nada de original e todos os ingredientes para um grande filme de culto sci-fi/comédia estão reunidos, não faltasse desenvolver melhor o resto do filme.

O humor é previsível, gasto, envolvendo-se quase sempre no não-humor, oscilando entre a propaganda pacífica de O Grande Ditador e a admiração de Charlie Chaplin por Adolf Hitler que este novo império faz passar aos seus cidadãos, as piadas sobre as raças negras e brancas, um astronauta negro que fica albino, o suposto avanço tecnológico dos nazis – ainda que a sua base seja imponente -, a imitação da famosa cena de Hitler na sala com os seus oficiais em A Queda, etc. E como os filmes têm que vender, a professora/namorada do futuro Führer da lua e a assistente da Presidente, que integram o elenco principal, são tipo as gajas de Ermesinde da série Gato Fedorento, ou seja, boas para disfarçar um pouco as prestações e encher o olho masculino.

Os primeiros trinta minutos são interessantes e prometem um novo super filme meio underground, meio Hollywood, mas rapidamente esquece as origens europeias do realizador e se transforma em Los Angeles. 

Argumento: Johanna Sinisalo, Jarmo Puskala, Michael Kalesniko
Realização: Timo Vuorensola

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Obra completa de Eugénio de Andrade reeditada


A Assírio & Alvim vai começar a editar já no próximo mês de Agosto a obra completa do poeta Eugénio de Andrade. Neste primeiro volume serão publicados As Mãos e os Frutos, Os Amantes sem Dinheiro e Até Amanhã, e no final da publicação de toda a poesia e da prosa serão publicados, em 2019, a Poesia Completa e a Prosa Completa - títulos ainda por decidir.

Recorde-se que Eugénio de Andrade, que venceu o prémio Pen Clube Português, Prémio Vida Literária e Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores, entre outros, faleceu em 2005.

«American Pie: O Reencontro»


Treze anos depois do primeiro American Pie e de todas as sequelas e franchisings desnecessárias, os rapazes e raparigas do East Great Falls High School reúnem-se para um fim de semana escaldante e nostálgico. Sim, parece que foi ontem que Jim fornicou uma tarde de maçã para ver como realmente a coisa era

Muito mudou na vida dos adolescentes de Michigan: Jim e Michelle casaram-se e têm um filho, Oz e Heather e Kevin e Vicky seguirem vidas amorosas separadas, embora seja ainda evidente que a atracção está lá, Finch continua apaixonado pela mãe do Stifler, Stifler continua o mesmo miúdo irresponsável, e o pai de Jim está pronto a reencontrar o amor após ter perdido a esposa. Em termos de filme enquanto filme, American Pie: O Reencontro é previsível em todos os aspectos e a receita que fez do primeiro um grande sucesso, continua presente: nudez, actores e actrizes de 30 anos a passarem-se por 18 anos, piadas estúpidas, rapazes da Men’s Health, raparigas da Maxim, partidas infantis e mais coisas estúpidas. Mas resulta tudo de forma razoável.

Depois de se reunirem e verificarem que ainda continuam a ser os mesmos miúdos de sempre, todos estão convidados para uma mega festa e baile de gala no antigo liceu onde todos conjecturaram planos infalíveis para a perda da virgindade – sim, o Sherminator e Nadja também marcam presença, assim como a invocação do termo MILF!. O sentimento de déjà vu e previsibilidade é enorme, mas isso não tira a diversão que a película pode proporcionar. Não estaríamos à espera de muito grande por parte de actores que nunca fizeram nada de realmente importante ou ousado desde a saga American Pie, pois não? No caso de Mena Suvari a situação é ainda mais embaraçosa: um super papel em Beleza Americana e meia dúzia de papéis insignificantes noutros filmes também da mesma categoria.

American Pie: O Reencontro tem à sua volta um sentimento de ternura e nostalgia para quem seguiu a evolução (regressão, neste caso) da franchise – para os adolescentes que obtêm o primeiro contacto com este Jim & Companhia, acredito que seja o seu filme do ano.

Título original: American Reunion
Argumento: Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg, Adam Herz
Realização: Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg

segunda-feira, 9 de julho de 2012

«Terminal de Aeroporto»


Maioritariamente envolvido em projectos com receitas milionárias e em filmes que marcam gerações, Terminal de Aeoporto é uma comédia amorosa e dramática surpreendente e agradável. Para Tom Hanks a sensação das comédias e dramas não é de todo desconhecida se recordarmos Forrest Gump e Sintonia de Amor.

Hanks interpreta o papel de Viktor Navorski, um cidadão da Cracósia (uma nação fictícia localizada algures no leste da Europa) que aterra em Nova Iorque no aeroporto JFK e se vê metido numa questão política invulgar: visto que Cracósia se encontrava num golpe militar, os Estados Unidos da América não a reconhecem como país e Viktor não pode sair do aeroporto, caso contrário será detido… e também não pode ser deportado, visto que não cometeu nenhuma ilegalidade. Baseado na história de Merhan Karimi Nasseri, um cidadão iraniano refugiado que viveu no aeroporto de Paris Charles de Gaulle de 1988 a 2006.

Sem perceber muito de inglês e capaz apenas de articular “bom dia” e “boa noite”, Viktor estabelece amizades instantaneamente graças à sua humildade e bom humor enquanto tenta escapar ao chefe de segurança Frank Dixon (Stanley Tucci) com a ajuda dos seus novos amigos que trabalham no aeroporto. É neste local onde se cruzam diariamente milhares provenientes de variadíssimos destinos que Viktor conhece Amelia (Catherine Zeta-Jones), uma hospedeira de bordo com uma vida amorosa instável que se deixa cativar pela amizade de Viktor.

Divertido e com uma boa dose de ternura, o filme centra-se primariamente na luta de Viktor contra as autoridades e as técnicas que este usa para viver no aeroporto e, numa segunda fase, no romance com Amelia. Não obstante a recepção da crítica com algumas notas medianas, Terminal de Aeoporto enriquece os currículos de Spielberg e de Tom Hanks e entretém-no com muito prazer.

Título original: The Terminal
Argumento: Sacha Gervasi, Jeff Nathanson
Realização: Steven Spielberg 

Gabriel García Márquez com problemas de memória


Depois de recentemente o irmão de Gabriel García Márquez ter anunciado que o vencedor do Prémio Nobel padecia de demência, Jaime Abello, presidente da Fundação de Novo Jornalismo Ibero-Americano (FNPI), afirmou que na realidade o escritor sobre de perda de memória.

Jaime García Márquez lamentou as perdas de memória e lucidez do irmão e confessou que por vezes aquele não reconhece os amigos e os familiares e que a probabilidade de Márquez voltar a escrever é muito reduzida.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Panos Karnezis «A Festa de Anos»


Inspirado na vida de um dos homens mais ricos da história do século passado, o excêntrico magnata grego Aristotelis Onasis, Panos Karnezis escreve sobre a influência do dinheiro e os seus efeitos nas relações familiares.

A Festa de Anos, escrito originalmente em 2007 e editado pela Editorial Bizâncio, apresenta-se como um romance que narra toda a história da família humilde de Marco Timoleon, um homem que começou a ficar famoso entre a alta sociedade de Argentina do início do séc. XX e que se afirmou como um membro influente da sociedade norte-americana quando se mudou para Nova Iorque. Dono das maiores frotas de navios e com dinheiro investido na exploração petrolífera, a vida de Marco Timoleon a nível financeiro é obviamente poderosíssima, exceptuando o lado familiar. Pelo vigésimo quinto aniversário de Sofia, sua filha, o magnata decide dar-lhe uma festa de anos numa ilha privada do mediterrâneo, com a presença da sua esposa (a segunda), sabendo de antemão que Sofia estava grávida do seu biógrafo. Com o objectivo de evitar que o seu neto nasça, Timoleon vai tentar convencer a filha a fazer um aborto.

Timoleon é-nos descrito como um homem de grandes festas, frequentador assíduo de clubes nocturnos, uma pessoa que compra tudo e todos com a sua fortuna, ainda que impotente em relação à forma como os filhos e amigos próximos o encaram. É também um homem muito supersticioso. A narrativa desenvolve-se em avanços e recuos entre o passado e o presente, alternando parágrafos entre 1975 e o final do séc. XIX da família Timoleon, com ênfase especial sobre o pai Victor e a infância e adolescência de Marco em Esmirna, Turquia. A escrita é maioritariamente sóbria e directa, ao estilo de Francis Scott Fitzgerald – de facto, por vezes lembra O Grande Gatsby -, ainda que por vezes apresente alguns sintomas de situações memoráveis ou grandes dinamismos.

Longe de ser um livro fantástico e com poucos episódios empolgantes, A Festa de Anos é um livro que vai bem com o Verão, calmo e simples.