domingo, 2 de dezembro de 2012

Guitarra de Jimi Hendrix leiloada por £237,000.00


A guitarra que Jimi Hendrix usou no Monterrey International Pop Festival de 1967 foi leiloada esta semana no Fame Bureau, em Londes, e vendida por £237,000.00 (aproximadamente 292,000.00€).

A guitarra em questão é nada mais, nada menos que a famosa Fender Stratocaster preta que Hendrix incendiou durante a interpretação do tema Wild Thing no festival de São Francisco. Posteriormente recuperada e reconstruída, a guitarra acabou nas mãos de James Wright, o manager da Anim Limited, a editora de Jimi Hendrix. 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Universal Pictures processa versão pornográfica de «As Cinquenta Sombras de Grey»


A Universal Pictures avançou com uma acção judicial contra a Smash Pictures por uso indevido e violação dos direitos de autor da trilogia As Cinquenta Sombras de Grey, de E.L. James.

A companhia norte-americana de Hollywood alega que Fifty Shades of Grey: A XXX Adaptation roubou «diálogos, personagens, acontecimentos, estória e estilos» directamente da trilogia e que o filme é uma «cópia descarada».

Recorde-se que a Universal e a Focus Features estão já a trabalhar numa adaptação ao grande ecrã de uma das trilogias mais vendidas dos últimos anos. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Diários de Al Berto publicados



A Assírio & Alvim publicou recentemente uma compilação dos diários de Al Berto, um dos escritores de maior amplitude poética das últimas décadas. 
 
A sinopse da obra, segundo a Assírio & Alvim: 

«Embora não haja uma organização definida pelo autor, nem indicações quanto à edição dos diários, Al Berto alimentava o corpo dos cadernos com notas e esboços, acreditando, por vezes, que esse devir-obra da sua própria vida pudesse ganhar uma dimensão diferente, uma outra "força", "outra leitura" se ponderasse a sua publicação. Decidimos agora, de acordo com a vontade dos herdeiros legais e, ao mesmo tempo, fazendo eco do desejo de Al Berto, tornar públicos estes documentos privados.

Nestes Diários sobressai o registo diário de algo que servia para um uso pessoal e íntimo. Estamos perante um corpus que se expõe a si mesmo, que se dá no ritmo efervescente da criação mas também na sua fragilidade, na dúvida.»

terça-feira, 27 de novembro de 2012

«O Clube dos Poetas Mortos»



Há várias coisas que a vida nos ensina e que nos acompanharão para sempre. Uma dessas experiências, cujos efeitos ainda perduram até aos dias de hoje, foi o dia em que vi O Clube dos Poetas Mortos, um verdadeiro, belo e sincero elogio à poesia. “Carpe diem” é uma expressão demasiado vulgarizada pelos media e pelos escritores contemporâneos, mas convém recordar que a mesma vem já desde os primórdios da humanidade. Crê-se que terá sido Horácio, pegando na máxima epicurista do prazer, o grande dinamizador da filosofia que consiste simplesmente em aproveitar o dia, viver o momento com alegria. Shakespeare e Walt Whitman- entre outros - também se encarregaram de dedicar estrofes a esta máxima.

O Clube dos Poetas Mortos passa-se nos Estados Unidos dos anos 50, numa escola secundária com bastante tradição na formação de alunos que ingressam na Ivy League norte-americana – Yale, Harvard, Columbia, Princeton, etc -. Nesta escola não se admite qualquer tipo de pensamento que não se enquadre na filosofia clássica britânica de um ensino caracterizado pela excelência, boas maneiras e elitismo. Esta é uma escola frequentada apenas por alunos e professores do sexo masculino, professores estes obcecados com formação de génios da Literatura, Trigonometria, Latim e outras disciplinas; aqui, o pensamento livre não é bem-vindo: tudo o que não estiver nos manuais é inválido. 

No entanto, um dos novos professores da escola, o Professor John Keating (Robert Williams), mudará para sempre a vida de Todd (Ethan Hawke), Neil (Robert Sean Leonard), Knox (Josh Charles) e companhia. Este professor é excêntrico e transmite a estes alunos o valor da verdadeira, da genuína poesia: senti-la no coração. As aulas do Professor Keating consistem no desprezo e escárnio pelos manuais dos estudiosos de poesia, indivíduos que criaram escalas para medirem a qualidade da poesia. Ora, a única regra necessária para se compreender poesia é precisamente, segundo o professor, esquecer as regras; tudo na vida é poesia, e a vida deve ser aproveitada ao máximo. “Carpe diem” significa, como explicado anteriormente, aproveitar e viver a vida no momento; porém, estes alunos adolescentes entusiasmam-se em demasia com o significado da expressão e acabam metidos em sarilhos; “carpe diem” não significa fazer o que nos apetece, mas sim fazer tudo o que pode e deve ser feito com carinho e respeito pelos que nos rodeiam. 

O Professor Keating entusiasma de tal maneira estes alunos, que eles se interessam pelo passado do docente e descobrem que este fez parte de um clube de poesia: o Clube dos Poetas Mortos. Neste clube secreto só é permitido falar sobre poesia e literatura, nada de trigonometrias e latim. No Clube dos Poetas Mortos declama-se com sinceridade e criatividade, sem espaço para problemas do exterior. No Clube dos Poetas Mortos toda a poesia é válida, mesmo aquela que se debruça sobre uma ida ao supermercado. 

O Clube dos Poetas Mortos é um enorme incentivo ao pensamento livre e desrespeito pela elite que define o que é boa ou má poesia, pelo formalismo no sistema educacional. A poesia não é como nós, não tem mente. Só tem emoção, pois só há poesia quando esta vem do coração. A cena final deste filme é arrepiante, e mais não digo.

«O Captain! My Captain!»

Título original: Dead Poets Society
Realização:  Pete Weir
Argumento: Tom Schulman

Valter Hugo Mãe vence Prémio Portugal Telecom


O português Valter Hugo Mãe é o grande vencedor do Prémio Portugal Telecom na categoria de Literatura Portuguesa de 2012. O autor concorreu com A Máquina de Fazer Espanhóis e recebeu ontem à noite em São Paulo, Brasil, o prémio que distingue o melhor romance escrito em português, derrotando assim Michel Laub e Julián Fuks. 

Os restantes vencedores foram o poeta Nuno Ramos, que venceu na categoria de poesia, e Dalton Trevisan, vencedor na de conto.

sábado, 24 de novembro de 2012

Andrew W.K. promove a paz e o rock no Médio Oriente


O Departamento de Estado norte-americano convidou recentemente o músico Andrew W.K. para ser embaixador da cultura no Médio Oriente. No próximo mês de Dezembro, Andrew W.K. promete encher de energia e música rock as escolas e salas de espectáculos do Bahrain.

O compositor norte-americano agradeceu o convite e prometeu mostrar ao grande povo do Bahrain a importância de 'rockar' e o seu contributo e energia positiva para a paz.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Vladimir Nabokov «Desespero»



Não fosse o original e fantástico talento, Vladimir Nabokov seria o escritor mais arrogante e presunçoso que alguma vez li. Este russo, nascido em 1899, é aquele autor capaz de logo no início nos oferecer o final do romance, ou então criar um prefácio qualquer com uma série de spoilers. Mas também não é bem assim, isto é, nada do que Nabokov escreve deve ser interpretado à letra. Há que ter sempre margem para se interpretar o oposto daquilo que está escrito.

«O livro tem menos atractivos de teor russo-branco do que os meus outros romances de emigre; daí, ser menos confuso e irritante para os leitores criados na propaganda esquerdista dos anos trinta; por outro lado, os leitores inocentes acolherão favoravelmente a sua estrutura inocente, a intriga inócua, que, aliás, não é tão familiar como supõe o autor da carta insultuosa do Capítulo 11. Ao longo do livro, há muitas conversas interessantes e a cena final, com Felix na floresta invernosa, tem, evidentemente, muita piada.» De facto, o romance é hilariante em praticamente todos os seus segmentos, com muito espaço para inverosimilhança e escárnio pela literatura e pelos críticos, assim como a União Soviética – o livro foi escrito no auge do regime russo, em 1934. 

Desespero conta-nos a estória de um russo que vive na Alemanha, Hermanm, casado com Lydia, que tenta encenar o crime perfeito: a sua própria morte – uma alusão a Crime e Castigo de Dostoyevsky, suponho. Numa viagem a Praga, Hermann conhece um vagabundo chamado Felix, alguém que supostamente, segundo Hermann, é o seu duplo. Hermann acredita que as suas semelhanças físicas com Felix são perfeitas e então prepara o assassinato do checo para ficar com o dinheiro de um seguro que faz com Lydia. As linhas de Desespero estão embutidas em puro sarcasmo e desprezo pela vulgaridade, um desprezo destinado sobretudo à linearidade literária daquela época: «Desespero, parente do resto dos meus livros, não tem comentário social a fazer, não traz mensagem nos dentes. Não endireita o órgão espiritual do homem nem mostra à humanidade a saída justa. Contém muito menos «ideias» do que qualquer um desses ricos romances populares tão histericamente aclamados na curta câmara de eco entre o aplauso e a vaia.», explica Nabokov no prefácio. 

A “loucura” de Nabokov é tal, que este inicia um dos capítulos do romance de várias formas, todas elas perfeitamente válidas e com nexo, e qualquer uma delas serviria para o autor continuar a desenvolver a obra. De facto, o distanciamento de Nabokov perante os grandes nomes da literatura – ou aqueles aclamados pela crítica – parece-me ser um dos seus objectivos. Criar uma obra de ficção onde a personagem principal é um sujeito matreiro, egocêntrico, em quem o leitor não pode confiar nem acreditar em nada do que ele diz. Hermann sobrepõe-se frequentemente a Nabokov, como se tivesse sido Hermann o autor da obra, o que me leva a questionar se Hermann terá sido um duplo do próprio Nabokov. Contudo, Hermann é escrito e rescrito a todo o instante, logo não pode ser um duplo no verdadeiro sentido do termo; Hermann é uma personagem que se quer transpor para a vida real e tomar o lugar do próprio autor, no entanto, sempre que isso sucede, Nabokov trata de rescrevê-lo.

Desespero é um romance de sarcasmo e ilusão singulares, criado a partir da grande loucura egocêntrica de Nabokov. Um romance a ser relido, sem dúvida.