sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Novo disco de Deftones em streaming


Koi No Yokan
, o sétimo disco de estúdio dos norte-americanos Deftones, encontra-se disponível para escuta em streaming no site da revista Rolling Stone.

Chino Moreno, vocalista e líder do grupo, explicou que, desta vez, ao contrário do que sucedeu com Diamond Eyes, a banda teve mais tempo para experimentar e compor.

A publicação Metal Sucks atribuiu a pontuação máxima a este novo disco - 5/5 -, descrevendo-o como «perfeito».

terça-feira, 6 de novembro de 2012

«Os Psico-Detectives»


Determinado em descobrir o porquê de ver o mesmo sujeito três vezes no mesmo dia em diferentes situações, Albert (Jason Schwartzman) contrata uma dupla de detectives que lidam, essencialmente, com problemas do foro existencialista. Bernard (Dustin Hoffman) e Vivian (Lily Tomlin) prometem resolver os problemas de todos aqueles que os contratam, mas para isso o cliente tem que aceitar ser observado vinte e quatro horas por dia até o caso estar resolvido.

A investigação sobre Albert, um activista à moda antiga, conduz os psico-detectives até Brand (Jude Law), o director de relações públicas da empresa onde Albert trabalha, que se mostra interessado em ajudar o meio-ambiente, mas por trás tem na realidade um plano de destruição e lucro com mãe-natureza. Dawn (Naomi Watts), a namorada de Brand, modelo e cara da empresa Huckabees, apercebe-se que também ela sofre de problemas existenciais. Quem é ela? Alguém que Brand só gosta se for modelo, ou uma rapariga que veste um chapéu horrível e umas jardineiras? Os psico-detectives vão ajudá-la a responder a esta questão. Paralelamente, Albert tem mais um amigo na luta pelo meio ambiente: Tommy (Mark Wahlberg) é bombeiro e questiona-se se vale a pena continuar a viver num mundo onde os automóveis poluem o ar e as crianças indonésias fabricam calçado Nike. 

Do mesmo realizador de The Fighter - Último Round e Três Reis, Os Psico-Detectives é uma interessante comédia existencialista, composta por um elenco de bons actores que dão vida às personagens que representam neste filme. A obra é cómica, sem dúvida, sem necessariamente ser um filme de grandes gargalhadas; as piadas são relativamente inteligentes e muitas vezes remetem para a Filosofia, mas não a aprofundam nem a complicam muito, tornando a experiência acessível a todos. Tal como em Gostam Todos da Mesma (Rushmore), Jason Schwartzman interpreta o papel de um jovem desesperado à procura de descobrir o seu lugar no mundo. Inteligente e sonhador, tal como em Todos Gostam da Mesma, Schwartzman representa uma personagem que sabe o que quer, mas desconhece o meio para atingir o fim. Bom, os Psico-Detectives estão aqui para ajudá-lo, claro.

Não é nada de extraordinário e David O. Russel não provou ainda ser um realizador de relevo, mas Os Psico-Detectives entretém quanto baste e isso é o mais importante.

Título original: I Heart Huckabees 
Realização: David O. Russel
Argumento: David O. Russel, Jeff Baena

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Haruki Murakami «Em Busca do Carneiro Selvagem»


Publicado em 1982, Em Busca do Carneiro Selvagem é a terceira obra no extenso cardápio do japonês Haruki Murakami em termos cronológicos, ainda que eu tenha o mau hábito de saltar de romance em romance e ignorar as datas. Este metafórico romance encerra a trilogia do Rato, composta por Pinball, 1973 (1979) e Hear the Wind Sing (1980), que infelizmente para os leitores portugueses, não se encontram traduzidos na nossa língua.

Dança, Dança, Dança (1988), editado por cá pela Casa das Letras, não faz parte desta trilogia mas dá continuidade à estória deste romance – está em lista de espera nas minhas leituras. Comparando em retrospectiva todos os romances que já li deste senhor, notei um franco aumento qualitativo em relação à escrita e criação de personagens marcantes, a par do prazer que dá ler Murakami; aqui neste romance nota-se alguma inexperiência, se assim lhe pudermos chamar, em relação aos seus romances mais recentes. Dissipo toda e qualquer dúvida: Em Busca do Carneiro Selvagem é um bom livro carregado de excelentes ideias… que o escritor aprimorou nos romances posteriores. Sim, a base da narrativa murakamesca encontra-se aqui: referências a Franz Kafka, personagens fortes e sóbrias, a literatura, o jazz, blues e soul norte-americanos, melancolia, adjectivação melódica, e uma capacidade exemplar de captar a atenção do leitor.

Em termos de estória, Em Busca do Carneiro Selvagem segue uma narrativa linear e limitada, até; isto é, há muita simplicidade na sinopse do romance: um jovem que trabalha na indústria da publicidade, e cujo nome nunca nos é revelado, é interpelado por um senhor que lhe propõe encontrar um estranho carneiro com uma singular estrela no seu pêlo. Paralelamente, a personagem principal arranja uma namorada que é modelo de orelhas e que o ajudará a encontrar o tal carneiro especial. Há quem diga que todos os livros são auto-biográficos, na medida em que enquanto escritores transpomos sempre parte de nós para o papel, e talvez seja mesmo verdade: o nascimento e a idade, assim como o ano em que decorre a acção sugerem que Murakami seja a personagem principal.

Com uma foto de vários carneiros numa paisagem verde, o nosso personagem tem assim que descobrir o paradeiro do invulgar animal. Mas por onde começar? A sua viagem começa em Tóquio e leva-o até à ilha de Hokkaido, onde descobre o Hotel Golfinho, cujo nome é inspirado em Moby-Dick, de Herman Melville – aliás, o dono do hotel é o primeiro a explicar esta curiosidade. Esta referência ao mundo de Melville reforça-se mais quando a personagem principal revela que o pénis de uma baleia lhe vem várias vezes à memória. Se o capitão Ahab persegue uma baleia invulgar, não é menos verdade que a personagem que Murakami criou neste romance persegue um carneiro também ele único. 

Em Busca do Carneiro Selvagem está carregado daquele tipo de significados subtis que obrigam a ler nas entrelinhas, revelando-se uma óptima experiência de leitura e imersão no mundo místico de Murakami. No entanto, a obra não cativa tanto como Norwegian Wood ou Crónica do Pássaro de Corda, isso é certo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Random House e Penguin fundem-se


Os grupos Bertelsmann e a Pearson anunciaram recentemente fusão da Random House com a Penguin. A Penguin Random House visa fazer frente à Amazon, Google e Apple no sector dos livros digitais, um mercado em crescimento que tem vindo a ser explorado pelos gigantes norte-americanos. 

Este novo grupo terá cerca de 25% de controlo do actual mercado de livros e uma lista títulos de onde se destacam os best-sellers Fifty Shades of Grey e um enorme catálogo de romances clássicos da literatura, entre outros. Em termos percentuais, a Bertelsmann (Random House) controlará 53%, ao passo que os restantes 47% serão da Pearson (Penguin).

Thomas Rabe, director executivo da Bertelsmann, explicou que é sua intenção «continuar a investir no potencial criativo do negócio».

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ismail Kadaré «Abril Despedaçado»


Abril Despedaçado é um romance daqueles livros invulgarmente deslocados da esfera temporal e das habituais temáticas abordadas no romance contemporâneo. Ismail Kadaré é um escritor albanês que apesar de viver em França, mantém-se ligado ao seu país natal, abordando assim várias questões relacionadas com a terra que o viu crescer. 

Esta obra tem por cenário a região dos Mirdites, na Albânia, onde impera a lei sagrada do Kanun há vários séculos; este Kanun é um conjunto de regras sócio-morais pelas quais a população se rege, incluindo matar alguém para recuperar a honra e o respeito da comunidade. Assim, Gjorg tem que matar o assassino do seu irmão para repor a justiça e esperar que a família do assassino – uma vez morto, passa obviamente a vítima – o mate. Este ciclo de vingança entre as duas famílias dura há décadas e vai continuar desta forma até que alguém decida quebrar as regras sagradas. Mas quem o fará? Estas leis existem há tanto tempo e são tão importantes que as próprias autoridades e governo albanês se demarcam das mesmas. Puro sangue por sangue bárbaro.

Paralelamente, estes rituais são observados e analisados por Bessian Vorpsi, um escritor, e a sua jovem esposa Diana. O casal desloca-se até ao coração do Kanun para compreender melhor o modo como a população se comporta em época de vingança, mas é Diana quem tem mais dificuldades em assimilar estes estranhos costumes; Bessian, que já conhecia um pouco da região e do Kanun, consegue explicar algumas coisas à sua esposa, mas até ele se deixa maravilhar e hipnotizar pela invulgaridade das cerimónias que decorrem naquela região isolada.

Abril Despedaçado apresenta-se escrito de formas simples e sugere a contemplação das descrições que o autor pinta, remetendo o leitor para o fascínio do Kanun e os costumes do seu país natal. No entanto, o livro revelou-se-me incrivelmente aborrecido e repetitivo, muito devido à tensão e aparente serenidade que reina nos Mirdites; o romance desmotiva tanto que fiquei sem interesse em explorar a extensa obra de Kadaré.

domingo, 21 de outubro de 2012

Julian Barnes «The Sense of an Ending»



A importância que tendemos a dar a prémios conceituados tem vindo a decrescer, creio eu. Ellen Johnson-Sirleaf venceu em 2011 o Prémio Nobel da Paz e este ano defendeu, imagine-se, uma lei anti-homossexual na Libéria, país que governa, recentemente a União Europeia venceu o mesmo prémio na edição deste ano – mas sobre isto, não me pronuncio porque no Contracultura Aplicada não se aborda a política -, Harold Pinter, que dedicou a sua vida ao teatro e não necessariamente ao romance, venceu o Nobel da Literatura em 2005. Em 2011 foi Julian Barnes a vencer o prestigiado Man Booker Prize com este The Sense of an Ending (O Sentido do Fim, Quetzal).

Antes de mais, convém dizer que não há nada de errado com Julian Barnes ou com esta obra de 150 páginas. A escrita é razoável e a temática incide sobre as relações entre namorados e amigos, até onde estas podem ditar a felicidade ou infelicidade, com um toque subliminar filosófico a adornar o romance. Por outro lado, convém igualmente informar que a obra não é - como os críticos apregoaram - fantástica, sublime, ou muito menos um romance de «frases perfeitas, por vezes a raiar o sublime», como destacou José Mário Silva.

Julian Barnes explora a vida de Tony Webster, um homem de 60 anos a passar por uma crise de meia-idade existencial que relembra a sua namorada e amigos do passado. O narrador movimenta-se entre a actualidade, a era digital do e-mail e iPhone, e os anos 60, onde se escreviam cartas e a vida decorria de forma mais descontraída. Nos tempos de universitário, Tony envolveu-se com Veronica, uma bonita rapariga londrina que o viria a trocar por Adrian, um jovem inteligente profundamente envolvido na Filosofia e História. Paralelamente, Tony e Veronica têm um par de amigos que aparecem no início do romance, mas que rapidamente desaparecem da narrativa sem grande explicação – e começa aqui um dos problemas do livro. Com o suicídio de Adrian e a forma misteriosa como este deixa o seu diário a Tony, a estória da obra parece fechar-se. A partir daqui, Tony tenta descobrir o porquê do suicídio, ao mesmo tempo que se aproxima de Veronica.

Para além de ser excessivamente curto e repetitivo, The Sense of an Ending é mediano em vários aspectos, nomeadamente na acção e espaço, onde pouco ou nada acontece; a seu favor tem o “food for thought” da temática da solidão que Barnes imprime na escrita. Como dizia inicialmente, e para nosso próprio bem, é bom que ignoremos por completo os grandes galardões e prémios literários, pois fazem parte cada vez mais de uma indústria cosmética.
 
 Nota: esta crítica foi baseada na leitura da obra no seu idioma original, o inglês.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

«Doidos por Mary»



Ted (Ben Stiller) é um miúdo inseguro de 16 anos que se apaixona por Mary (Cameron Diaz), a rapariga mais bonita de Rhode Island. Ted é tudo menos um rapaz bem sucedido na vida, até que um dia este se mete numa luta, defende Warren, o irmão de Mary, e para espanto do próprio Ted, Mary sabia o seu nome, algo que nem os seus melhores amigos faziam a mais pequena ideia. A situação fica mais caricata ainda quando Mary convida Ted para o baile de finalistas e o miúdo apaixonado com um enorme aparelho nos dentes consegue a proeza de ficar com os genitais presos na braguilha. Depois de ir para o hospital com uma hemorragia grave, Ted fica sem notícias de Mary.

Treze anos depois, Ted contrata o detective Patrick Healy (Matt Dillon) para descobrir o paradeiro de Mary, que mudou o último nome devido a problemas com um ex-namorado obsessivo. Ficamos a saber que Mary é uma cirurgiã, solteira e amante de golfe que se mudou para Florida, que continua solteira e tem muitos, muitos pretendentes obcecados em conquistarem o seu amor. Doidos por Mary é uma comédia dos irmãos Farrelly, os autores de Doidos à Solta e Eu, Ela e o Outro, e promete ser um filme que vai fazê-lo rir de princípio ao fim.

Ao contrário daquilo que muitos poderão pensar, esta película não tem nada a ver com as comédias românticas de humor barato e previsível que têm inundado o mercado há já alguns anos – algo em que o próprio Ben Stiller tem participado inclusive -; Doidos por Mary é espontâneo e imprevisível quase de princípio ao fim, à excepção de que se adivinha um final feliz entre Ted e Mary, obviamente. Aqui, todas as personagens têm segredos escondidos que se revelam hilariantes e algo em comum: todos estão completamente apanhados por Mary. Apesar de Ted tudo fazer para a conquistar, este terá que ter muito cuidado com os seus próprios amigos e com Healy.

Doidos por Mary continua a ser um dos meus filmes preferidos e uma das grandes comédias que tenho cá por casa. É hilariante, descontraído, imprevisível, tem o selo Farrelly Brothers e mantém-se actual passados catorze anos.

Título original: There's Something about Mary

Realização: Bobby Farrelly, Peter Farrelly
Argumento: Ed Decter, John J. Strauss, Peter Farrelly, Bobby Farrelly.