sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Cult of Luna regressam a Portugal e preparam novo disco


Os suecos Cult of Luna, autores de Somewhere Along the Highway, confirmaram duas datas para Portugal. Assim, estarão no dia 28 e 29 de Janeiro no Paradise Garage, Lisboa, e Hard Club, Porto. A banda anunciou também que o novo disco estará pronto no início de 2013.

Vertikal, o sexto longa-duração, é inspirado no filme Metropolis, e a estrutura e processo de escrita serão lineares e sem grandes complicações.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

«Balas e Bolinhos – O Último Capítulo»


O grande campeão de bilheteira e o maior sucesso do cinema português dos últimos é a terceira e derradeira parte da saga de Tone (Luís Ismael), Rato (Jorge Neto), Culatra (J.R. Duarte) e Bino (João Pires). O Último Capítulo fecha a trindade de muitos palavrões e aventuras sem nexo de quatro indivíduos à procura de tesouros e dinheiro.

Como é óbvio, este não pode ser o futuro do cinema português, mas já lá vamos. Há que deixar bem claro que este registo roça o humor barato: insultos, palavrões, javardices e mais palavrões; repesca muitas expressões dos outros dois capítulos, retoca algumas e repete novamente a fórmula - dito isto, o filme não tem na originalidade o seu ponto forte. Mais uma vez, tal como sucedeu no capítulo anterior, as quatro personagens encontram-se acidentalmente e têm vidas diferentes: Tone regressa da China com o espírito interior desenvolvido e sabe lutar kung fu, Rato é cantor pimba, Culatra é médico e Bino é animador de rua. Reúnem-se todos para encontrarem o dinheiro de uma mala misteriosa, mas desconhecem que esta se encontra nas mãos da poderosa máfia chinesa, portanto todo o cuidado é pouco… ou não. É esta a estória do filme. Não, espere: paralelamente, Tone tem que encontrar um fígado para o pai. 

Balas e Bolinhos é uma experiência descontraída que não o obriga a usar a sua massa cinzenta, bem pelo contrário: divirta-se com as piadas previsíveis dos intervenientes. Conhecidos do grande público também marcam presença neste registo, como é o caso de Jel, dos Homens da Luta, ou Fernando Rocha – complicado seria mesmo pedir humor inteligente do género de Seinfeld ou Monty Python, mas é o que há -, conferindo ao filme uma maior longevidade. A longa duração é outro dos problemas encontrados aqui: quase duas horas de filme com má língua e pancadaria tornam o filme aborrecido. O humor de Balas e Bolinhos – O Último Capítulo é do mais básico que existe: “paneleiro”, “filho da puta”, “boi” ou “foder” ouvem-se com bastante frequência e prometem irritá-lo ao fim de algumas cenas – por mim falo, claro.

No entanto, não desgostei do filme. Podia estar mais variado um bocadinho, com palavrões mais originais, claro, mas é o que se podia esperar do último capítulo desta saga. Jorge Neto tem potencial para outro tipo de voos, já agora.

Realização: Luís Ismael
Argumento: Luís Ismael

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

«A Lula e a Baleia»


Noah Baumbach tem-se revelado um realizador/argumentista com talento mais que suficiente para fazer coisas interessantes no futuro, julgando pelo sucesso de Um Peixe Fora de Água e este A Lula e a Baleia. Ainda desconhecido do grande público, a aventura do Capitão Zissou marcou pontos na área dos dramas independentes e esta película veio apenas reforçar ainda mais os seus créditos.

Baseado em eventos que marcaram a vida de Baumbach, o filme passa-se em Brooklyn no final dos anos 80. Narra a vida da família Berkman, que aos poucos se vai despedaçando sem que as personagens se apercebam disso, levando finalmente ao divórcio dos pais e consequente batalha pela custódia e conquista do amor dos filhos. Bernard, o chefe da família, (Jeff Daniels, Doidos à Solta) é um professor de literatura e um romancista que se vê sem criatividade para escrever e pouco empenho e vontade de dar aulas, Joan (Laura Linney, Mystic River) a esposa insatisfeita, acaba de escrever um romance que lhe outorga elogios de amigos e críticos, Walt (Jesse Eisenberg, A Rede Social, Bem-vindo à Zombieland), o filho mais velho, é um adolescente inseguro, ainda que ele se tente convencer disso, e Frank (Owen Kline, Uma Casa, Uma Vida), o filho mais novo de 12 anos que está a descobrir a sexualidade.

Bernard é o patriarca autoritário desta família, pois põe os filhos em aulas de ténis contra a vontade destes – e curiosamente, quando Frank decide envergar por uma carreira profissional de tenista, Bernard é o primeiro a contrariá-lo -, decide aquilo que a família deve ou não ler e apelida de filisteus aqueles que não lêem; Joan, ao sentir que as coisas não melhoram e que o amor para com o marido é meramente formal, trai-o com Ivan (William Baldwin, Linha Mortal), o professor de ténis dos filhos. O divórcio surge de formal natural, sem qualquer tipo de zangas, e Joan e Bernard chegam à conclusão que ele deve alugar uma casa no mesmo bairro e que os filhos dormem um dia na casa de Bernard, outro dia com Joan – incluindo o gato da família. Como é óbvio, isto cria tensões e um clima de posse, para não falar de algum distanciamento entre os filhos e os pais, visto que Frank e Walt têm os seus problemas de adolescentes para resolver: Walt, a conselho do pai, decide testar o poder que tem sobre a namorada – que ele acreditar ter, isto é - e Frank descobre o mundo da masturbação. No fundo, Bernard incute e impõe um pseudo-intelectualismo na família, ignorando que a está a fragmentar.

A Lula e a Baleia é um drama alegre com momentos deveras descontraídos, inserindo-se num cenário e tempo extremamente adequados à temática em que a película se insere, contando ainda, claro, com prestações muito boas de um elenco que tem um desempenho enorme em determinadas situações – por exemplo, quando Walk plagia na íntegra um tema dos Pink Floyd e o toca perante a família e a escola, sem que ninguém se aperceba da cópia. Um filme a não perder, claro.

Título original: The Squid and the Whale
Realização: Noah Baumbach
Argumento: Noah Baumbach

terça-feira, 25 de setembro de 2012

António Lobo Antunes e José Luís Peixoto no Pris Femina 2012

    
António Lobo Antunes e José Luís Peixoto são finalistas do Pris Femina deste ano. António Lobo Antunes e José Luís Peixoto, que comemoraram recentemente 70 e 38 anos, respectivamente, integram uma lista de romancistas estrangeiros que conta com Juan Gabriel Vásquez e Yan Lianke, entre outros.

Antunes, que editará no próximo dia 8 de Outubro o seu novo romance Não É Meia-Noite Quem Quer, é finalista com o romance O Arquipélago da Insónia (2008) e Peixoto com Livro (2010).

Novo romance de António Lobo Antunes


O novo romance de António Lobo Antunes intitula-se Não É Meia-Noite Quem Quer e tem data prevista de lançamento para 8 de Outubro.

O enredo do livro desenvolve-se em três dias, sexta-feira, sábado e domingo. Uma mulher com perto de cinquenta anos vai passar um fim-de-semana na casa de férias da família, numa praia não identificada. A casa, modesta, foi vendida e ela quer despedir-se da casa, mas também relembrar tudo o que se passou ali - a sua infância com os pais e os irmãos, o suicídio do irmão mais velho, o irmão surdo-mudo, o complexo e dramático relacionamento dos pais, a menina da casa em frente, sua amiga do tempo de férias. Vem depois a sua vida actual, mal casada, sem filhos, professora numa escola como tantas outras, com uma relação frustrante e sem entusiasmo com uma colega mais velha... O falhanço que é a sua vida reflecte-se na casa há muito desabitada e nos sonhos de todos eles, ali irremediavelmente enterrados. A despedida da casa pode levá-la a imitar o irmão mais velho e, no domingo, atirar-se das arribas e encerrar ali uma vida sem futuro.

O romance será editado pela D. Quixote.

domingo, 23 de setembro de 2012

«Cyrus»



Nem todas as separações correm tão bem como a de John (John C. Reilly) e Jamie (Catherine Keener), pois ficam ambos grandes amigos, embora John ainda sinta algo por Jamie, que vai casar novamente. Passaram-se sete anos desde que John passou a viver sozinho, deprimido, enfiado em casa à espera que as coisas boas lhe caiam do céu, até que Jamie o arrasta para uma festa e o ex-marido conhece Molly (Marisa Tomei).

Quando as pessoas conhecem e se envolvem com alguém ficam plenamente extasiadas, como acontece com John: arruma a casa, faz exercício para esconder a barriga de cerveja, come comida saudável e, mais que tudo isto junto, sorri, ganha vida. Bem, e Cyrus? Cyrus (Jonah Hill) é o filho de Molly, um jovem de 21 anos que nunca conseguiu ultrapassar a separação dos pais, um filho muito apegado à mãe e que não deixa que nenhum homem se envolva com Molly. A missão de John passa por convencer o filho em relação às suas intenções do seu novo amor, mas isso não é pêra doce; Cyrus mente, manipula e faz de tudo para ter a sua mãe só para si mesmo, mesmo que isso implique sacrificar a felicidade da progenitora.

Cyrus é, em traços gerais, um drama moderno com uma ou outra gargalhada, onde nada de excitante acontece, as personagens adoptam uma postura moderadamente séria (é mais um daqueles filmes que tem “Sundance” na capa), onde nada aparentemente corre bem. Nada de extraordinário, portanto, o que não significa necessariamente que esta película não seja agradável - aliás, é um dos filmes mais interessantes que vi nos últimos tempos. A prestação de John C. Reilly é espectacular em vários aspectos, assim como a sua personagem: John confronta Cyrus com alguma agressividade quando este lhe tenta fazer a vida difícil. John é um “anti-bombeiro”: combate fogo com fogo. No sentido oposto, a prestação de Marisa Tomei é discreta. Não apresenta neste filme a intensidade de O Wrestler, por exemplo, ficando por vezes relegada para segundo plano em detrimento da difícil relação John/Cyrus, o que é pena: Tomei é uma boa actriz.

Cyrus tem tudo para agradar aos mais solitários e desligados dos grandes blockbusters cinematográficos, ávidos de cultura alternativa, ainda que seja “made in USA”. Não inova, mas também não estagna o género em que se insere.

Realização: Mark Duplass, Jay Duplass
Argumento: Mark Duplass, Jay Duplass

Trailer e tema de «Honor Found in Decay»



At the Well, tema do próximo disco Honor Found in Decay dos norte-americanos Neurosis, pode ser escutado aqui.

O trailer de avanço do álbum também está disponível aqui. O lançamento deste registo tem data maracada para 30 de Outubro.